Falta de acesso dificulta funcionamento do aterro do Huambo

A província do Huambo, até ao momento, está com um depósito provisório de resíduos sólidos, uma solução encontrada enquanto o aterro não funciona. Segundo o director provincial do Ambiente, César Pakisse, a limitação no acesso impossibilita o funcionamento do aterro que pode ser usado para aproveitar resíduos de províncias circunvizinhas

POR: Romão Brandão, enviado ao Huambo
fotos de Virgílio Pinto

O Ministério do Ambiente está reunido em Conselho Consultivo Alargado, na província do Huambo, durante dois dias (6 e 7 de Fevereiro), sob o lema “Ambiente como factor de desenvolvimento sustentável e da diversificação da economia”. Neste, que é o III Conselho, foram abordadas questões relacionadas com a gestão de resíduos sólidos das províncias do país. A província do Huambo, segundo a governadora, Joana Lina, durante o seu discurso, está a lutar com o apoio de vários departamentos ministeriais para colocar em funcionamento o aterro sanitário e melhorar a gestão dos resíduos sólidos, pelos efeitos imediatos na saúde das populações e bem-estar da comunidade local.

Segundo o delegado provincial do ambiente, César Pakisse, apesar do Huambo ter um aterro sanitário, não está funcional, porque “estamos com alguma limitação no acesso”. Enquanto melhoram a situação, “nós temos um centro de transferência de resíduos, ou seja, há um perímetro (que por sinal é florestal) onde estamos a depositar, de forma provisória, estes resíduos”, disse. Tão logo o aterro esteja em funcionamento, o resíduo será tirado do local provisório e transportado para o definitivo. No Conselho Consultivo Alargado presidido pela ministra do ambiente, Paula Francisco, pediram que se tenha em atenção o aspecto relacionado ao aterro do Huambo, uma vez que, segundo César Pakisse, esta é uma província do centro importante, sem desprimor doutras províncias.

“Com densidade a populacional que temos e o carácter central da província, se tivermos um aterro funcional, nós podemos exercitar um aproveitamento dos resíduos até das províncias circunvizinhas, como Bié, Benguela e a zona leste do país”, reforçou. Com este carácter central que a província representa, segundo o entrevistado, e com um sistema de resíduos sólidos eficaz, tem-se as condições criadas para começar a exportar/importar determinados tipos de resíduos sólidos que se vão transformar em matérias-primas para outros fins. É necessário pensarmos nesta perspectiva, disse, e a supor que o nosso aterro tenha alguma central de aproveitamento de resíduo plástico ou ferroso, ou qualquer outro tipo de resíduos, nós podemos ser um centro capaz de exportar. “O nosso apelo é que possamos olhar para os problemas ambientais com outra dimensão, isto é, aproveitar todas as potencialidades económicas que a gestão ambiental nos proporciona”, defende.

Dificuldade financeira estará na base

De acordo com o director nacional do ambiente, Nascimento Soares, o plano estratégico de desenvolvimento urbano orienta que todas as cidades capitais devem ter um aterro, mas dada a conjuntura económica este processo ficou inviabilizado e não foi possível ser implementado ao nível de todas as províncias. Há agora uma nova abordagem sobre os aterros que tem estado a ser estudada, pelo facto de a construção de um aterro ser bastante cara ou ter, de facto, custos muito elevados para o próprio Estado. “Este processo de aterro sanitário é um processo que tem de ser revisto, considerando que a ministra coordena uma comissão que está a fazer um estudo sobre os vários programas e propostas apresentadas para um novo modelo”, disse, tendo reforçado que “a dificuldade financeira esteve na base da não implementação do plano estratégico de desenvolvimento urbano, no que diz respeito aos aterros ao nível nacional”. Este é um assunto que o jornal OPAÍS abordará com mais profundidade nas próximas edições.

error: Content is protected !!