Jovens descobrem em Tribunal que são banqueiros

Agostinho Soares da Gama e Anselmo Eduardo Salvador descobriram ontem, na Câmara de Crimes Comuns do Tribunal Supremo, que são accionistas do extinto Banco Mais, na qualidade de detentores de 55 e 14 por cento das acções da Mais Financial Service, S.A, a empresa que detém a maioria do seu capital

Ambos foram arrolados como declarantes no processo-crime que corre os seus trâmites legais no referido tribunal, resultante de uma transferência de USD 500 milhões do Banco Nacional de Angola (BNA para a empresa Perfectbit, com vista a criação de um alegado fundo de investimento de 30 mil milhões de euros para o país. “Não sou sócio de nenhum banco”, afi rmou confi ante Agostinho Soares da Gama, em declarações à instância do Ministério Público, dirigida por Pascoal Joaquim.

“Então o senhor é sócio da Mais Financial Service com 55 por cento das acções e não sabe!”, ironizou o procurador. Agostinho da Gama retorquiu ter conhecimento que o banco em causa pertence ao seu patrão, Jorge Gaudens Pontes Sebastião (um dos arguidos), proprietário da empresa GPS Empreendimentos, onde trabalha há anos e não sabe dizer como é que se tornou sócio. Ele e os seus colegas Adelino Ernesto Quibuco, Filipe Albino Gomes e João Manuel Ginga foram convidados por Jorge Gaudens a participar na constituição da aludida empresa, em 2015.

O mesmo convite foi feito a Anselmo Eduardo Salvador, funcionário da Transcoop, outra empresa de Jorge Gaudens. No entanto, segundo Agostinho da Gama, dias depois de terem constituído a Mais Financial Service passaram uma procuração irrevogável ao seu patrão, conferindo-lhe plenos poderes sobre a mesma. Confrontado com uma acta de uma reunião da Assembleia Geral Extraordinária da empresa, de Dezembro de 2015, na qual, consta que os seus cinco “sócios” fi zeram a distribuição das acções, na qual assina como presidente da mesa desse órgão, Agostinho da Gama reconheceu a sua assinatura, mas disse que não participou de nenhuma reunião.

Declarou que este e outros documentos relativos à empresa lhe foram dados a assinar por um dos estafetas de uma das empresas de Jorge Pontes, a mando deste, pelo que assim procedeu. “Ele disse-me que precisava que assinasse e eu assinei”, frisou, sublinhando que achou o convite para pertencer a empresa normal por isso aceitou, sem esperar receber qualquer contrapartida por isso, uma vez que é funcionário dele. Anselmo Salvador, funcionário da Transcoop, confi rmou a versão de Agostinho da Gama, segundo a qual participaram da constituição da Mais Financial Service, S.A a convite de Jorge Gaudens e depois passaram-lhe uma procuração irrevogável. “Para mim é normal.

Não é a primeira vez que participo na assinatura de constituição de empresa. Já o fi z antes no acto de constituição da Transcoorp, empresa onde trabalho e depois passei a procuração irrevogável ao doutor Jorge [Gaudens] Pontes”, frisou. Quanto às actas das alegadas reuniões da Assembleia Geral da Mais Financial Service, S.A, confi rmou que a assinatura lá constante é sua, mas que nunca participou em nenhuma reunião.

O procurador Pascoal Joaquim confrontou-lhe com uma acta, na qual consta que secretariou a alegada reunião onde os accionistas decidiram delegar plenos poderes a si para resolver os problemas relacionados à aquisição de 51 por cento das acções do Banco Mais. Ele reconheceu a sua assinatura, mas reafi rmou que não participou em nenhuma reunião a respeito. Anselmo Salvador declarou que conhece o referido banco e que já esteve na sua antiga agência da marginal inúmeras vezes, porém, não como homem de negócio ou cliente, mas para depositar dinheiro na conta de outrem. Disse que desconhecia que tinha alguma ligação com o banco.

De realçar que o Tribunal Provincial de Luanda decretou a falência do Banco Mais, meses depois de o BNA ter revogado a sua licença, pelo facto de os seus accionistas não terem conseguido aumentar o seu capital social de 4 mil milhões, 990 milhões, 603 mil e 949 Kwanzas para 70 mil milhões e 500 milhões de Kwanzas.

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