Carta do leitor: Ensino em Angola: De qualidade para todos ou mau para todos?

Tem sido comum nos últimos meses a tônica do aumento das propinas, com uma greve de estudantes a misturar economia de mercado e economia centralizada, isso para não dizer de “economia controversa” pela mistura de determinadas afirmações por parte de órgãos das Finanças, Justiça, defesa consumidor e individualidades, assim como o parecer de cidadãos, alguns dos quais mal formados e informados. Afinal, os que têm os seus filhos a estudar no exterior do país ou estudaram preocupam-se tanto com a qualidade interna ou ainda fomentam para passarem distraídos deste tema qualidade do ensino. Vê-se escolas, colégios, universidades e institutos privados a discutirem preço e não a qualidade. Sinceramente, tudo uma verdadeira salganhada. Proponho uma pequena análise famílias angolanas. Como é que estão a ser formados os nossos filhos em Angola? Preocupados com os valores, também se perdem no tempo os valores mais importantes da vida. Será que o ensino no privado e do Estado é de qualidade? Será que cada um de nós não pode pagar melhor para seu filho ser bem formado? As instituições deviam preocupar-se com a qualidade e não com o preço, porque o que queremos é um diploma para os nossos filhos, mas estes muito bem formados. As instituições que velam pela defesa do consumidor deveriam, além do preço, estar mais preocupadas com a qualidade, as condições de formação de qualidade do docente. Pelo andar da carruagem, teremos quadros com papel na mão para usar na reciclagem de papel higiênico. Meus senhores, devemos nos preocupar com uma mudança de paradigma na Educação. Para ela ser boa, há um preço no Estado e no privado, mas todos nós pagaremos pela nossa ignorância popular por não exigir qualidade somente. Não é por acaso que os filhos dos políticos e dos mais abastados estudam em colégios estrangeiros e no exterior. Vocês veem filhos de políticos nas escolas públicas ou dos angolanos com alguma posse financeira em muitas escolas públicas ou até mesmo nas nossas universidades? Acordemos, porque estamos a lutar e discutir o tema mais controverso : o dinheiro. Não acham que deveríamos discutir a qualidade em todos os níveis acadêmicos ? Discutir quantos ficam fora do ensino e a qualidade relativa hoje? Por onde e como podemos resolver o tema qualidade de ensino? Isso sim seria a grande preocupação a ter. Quando teremos internamente centros de investigação e trabalhos científicos reconhecidos mundialmente? Isso sim deve ser o grande movimento e motivo da cidadania angolana. O ensino não é o mesmo que comprar arroz, gasolina ou uma refeição. Onde já se viu pagar uma unidade de ensino superior privada a vinte dólares? Se calhar, é por isso que temos o índice de pobreza tão elevado, estimado em 12 milhões de cidadãos, quando sabemos que a formação de qualidade é o pilar mais forte de um país. E a riqueza é conhecimento de saber fazer, saber fazer bem e saber que sabe cientificamente fazer.

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