Parque de Cangandala conta com 92 Palancas

Quando se criou o santuário de reprodução, o Parque Nacional de Cangandala, na província de Malanje, tinha apenas nove fêmeas e um macho de palanca negra gigante. Hoje, segundo o director do parque, Victor Paca, 92 palancas, entre fêmeas, machos e filhotes, encontram-se nesta zona de conservação

POR: Romão Brandão e Virgílio Pinto (enviados ao Huambo)

O parque Nacional de Cangandala localiza- se na província de Malange, a 50 Km a Sul da cidade com o mesmo nome, limitado a Norte pelo rio Cuije e a Sul pelo rio Cuque. A palanca negra gigante é um símbolo do parque, por isso criou-se um santuário de reprodução no sítio que começou com 9 fêmeas e um macho. Neste domínio, segundo o responsável do Parque Nacional de Cangandala, Victor Paca, com aplicação de coleras, efectivou-se o acompanhamento mais restrito das palancas, que resultou na observação de duas manadas grandes e, hoje, conta-se um total de 92 animais, entre machos fêmeas e crias.

Conseguir preservar este importante animal não tem sido fácil para si, como responsável do parque, e para a equipa de fiscais, pois tem sido frequente o registo de tentativas de caça furtiva na zona. Só no presente ano, registaram três casos de caça furtiva, em que conseguiram apreender 3 caçadeiras, para além do confronto com três grupos que se puseram em fuga e denunciaram o local onde guardavam os animais já abatidos. “Temos registos de caçadores furtivos, mesmo sabendo que se trata de um símbolo nacional que deve ser preservado, a caçarem a palanca negra. Mas nós temos tomado as medidas certas para impedir as suas acções.

O número de pacaças, por exemplo, também reduziu, como resultado da caça furtiva, bem como o de veados e sestas, que são os animais mais vitimados”, reforçou. Victor Paca reconheceu que têm um número de fiscais bastante reduzido e que têm a consciência de que este deve aumentar, mas é com este reduzido número que fazem frente às acções que ameaçam a vida animal do parque. Para um parque com a dimensão do de Cangadala, segundo o entrevistado, uma cobertura de 49%, em termos de fiscais, é bastante reduzida. Tem fé que, depois da orientação do Presidente da República e com a notícia de que os parques ganharão 250 fiscais venha a receber mais alguns. Bem calculado, o parque de Cangadala devia ter, no mínimo, 50 fiscais.

Para além da necessidade de recursos humanos, não têm viaturas suficientes, precisam de tendas, já que em Malanje chove muito e algumas vezes têm de acampar, precisam de capas de chuva e já enviaram uma lista ao ministério de tutela. “Não é bom que a caça continue, pois é um trabalho em contra-mão em relação ao nosso, já que nós estamos ali para conservar ou proteger, e vem um grupo para dizimar”, lamenta. O turismo no Parque Nacional de Cangandala ainda não é uma realidade, pelo que há um esforço do Ministério do Ambiente, segundo Victor Paca, para se mudar este quadro, pois já têm alguns bangalós e foi construido um santuário turístico com uma extensão de 180 hectares para não se comprometer o santuário de reprodução em sítio. Hoje estão em construção o bebedouro e o miradouro no santuário turístico e tão logo se termine será possível receber os turistas.

Cangandala ainda não dá receitas

“Nesta altura, o parque de Cangandala não dá receitas. Está aberto para estudos científicos, por exemplo, dos estudantes universitários”, disse. Com uma extensão territorial de 600 quilómetros quadrados, o parque foi estabelecido como Reserva Natural Integral a 25 de Junho de 1963 e elevado a Parque Nacional a 25 de Junho de 1970. No III Conselho Consultivo do Ministério do Ambiente ficou a recomendação, para os parques nacionais, que se aprove as taxas de acesso a Áreas de Conservação e o estatuto remuneratório dos fiscais, bem como a criação de infra-estruturas administrativas dos parques nacionais e aquisição de equipamentos técnicos e materiais de apoio. É uma recomendação, que, segundo a ministra do Ambiente, Paula Francisco, será tida em conta. Também foi pedido o agravamento das penas na legislação sobre apreensões de infractores às áreas de conservação, fomento da certificação ambiental, rótulos e selos verdes a nível nacional, assim como aprovação da lei sobre os espaços verdes e o cumprimento criterioso da monitorização e avaliação do desempenho ambiental susceptíveis de causar danos ambientais.

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