Centro de segurança no Trabalho aposta na sensibilização para redução de doenças profissionais

A instituição continua a registar inúmeros casos de doenças profissionais, com maior incidência para a surdez que, quando não é tratada com a devida atenção, pode incapacitar os trabalhadores, sobretudo jovens que ainda poderiam dar o melhor de si em prol do desenvolvimento do país

A directora do Centro de Segurança e Saúde no Trabalho (CSST), Isabel Cardoso, disse, ontem, que a sua instituição vai, durante este ano, realizar uma série de seminários de sensibilização para alertar aos empregadores e empregados sobre a necessidade de se reduzir ao máximo os riscos de formas a baixar os casos de doenças profissionais e acidentes laborais. Segundo a especialista, o país continua a registar inúmeros casos de doenças profissionais, com maior incidência para a surdez que, quando não é tratada com a devida atenção, pode incapacitar os trabalhadores, sobretudo jovens que ainda poderiam dar o melhor de si em prol do desenvolvimento do pais.

Isabel Cardoso fez saber que as fábricas e os sectores da construção civil e engenharia são os que maiores números de casos de doenças profissionais registam devido à exposição aos factores de riscos como ruídos, situação que tem acarretado muitos problemas de saúde no seio dos profissionais de diferentes áreas.

A negligência, a falta de conhecimento e o desrespeito aos cuidados a se ter com as questões relativas à segurança e higiene no local de serviço são, para Isabel Cardoso, dos factores que contribuem para os casos de doenças profissionais e acidentes no local de trabalho. Porém, para diminuir tais ocorrências, a responsável deu a conhecer que a sua instituição vai proceder à realização de ciclos de palestras de sensibilização para chamar a atenção para a necessidade de um maior cuidado e respeito pelos factores de segurança.

Conforme explicou, os seminários vão ser realizados nas províncias e nos bairros periféricos de Luanda para consciencializar os empregadores e os empregados para a protecção da vida e reduzir os custos causados pelas doenças profissionais e acidentes de trabalho. “Pretendemos estar mais próximos dos empregadores e empregados, sobretudo fora do casco urbano onde existem muitas empresas e fábricas, mas que, no entanto, não observam as normas e as regras de protecção da saúde do trabalhador”, assegurou, tendo acrescentado que “temos de ter uma acção pedagógica.

E esse ano o nosso trabalho vai incidir, sobretudo, na sensibilização”. Isabel Cardoso, que falava à impressa à margem do seminário subordinado ao tema “SEGURANÇA, HIGIENE E SAÚDE NO TRABALHO”, deu a conhecer que, em 2019, a instituição que dirige realizou mais de 30 mil exames de saúde ocupacional e a surdez foi a que maior número de casos registou quer como patologia quer como casos de incapacidade laboral. “É preciso minimizar os factores de riscos. E, infelizmente, ainda registamos muita exposição ao perigo, o que é preocupante”, lamentou.

Responsabilização permanente

Por seu lado, o chefe dos serviços provinciais da Inspecção Geral do Trabalho, em Malanje, Leandro Raimundo disse que o seu órgão tem feito visitas a várias empresas dos mais diversos segmentos para sensibilizar e penalizar os infractores na medida certa. Só durante o ano passado, Leandro Raimundo fez saber que a IGT de Malanje registou três acidentes de trabalho fatais e mais de cinco casos de trabalhadores que perderam os membros superiores no exercício das suas funções.

Conforme explicou, a instituição encaminhou todos os casos para a sala de trabalho do Tribunal Provincial de Malanje no sentido de responsabilizar os infractores que não obedeceram ao cumprimento das normas relativas à prevenção de acidentes de trabalho e doenças profissionais.

O técnico disse que o ramo da agricultura e da construção civil constituem as áreas onde ocorrem maior número de casos, cujas vítimas foram jovens entre os 35 e os 40 anos de idade Porém, no mesmo ano, explicou, foram levantados os competentes autos de notícias pagos à volta dos 20 milhões de Kwanzas “Esses casos não nos agradam, porque a nossa meta é trabalhar, todos os dias, para que haja saúde no seio das empresas. É preciso perceber que investir na segurança não é um custo. É sim um investimento”, notou.

Desculpas desnecessárias
Segundo ainda Leandro Raimundo, do trabalho de fiscalização realizado, constatou-se que muitas empresas têm dificuldades em criar mecanismos de protecção dentro dos seus recintos. Esta situação, frisou, tem feito com que os trabalhadores estejam a trabalhar sob enormes perigos com consequências fatais.

“Face a essas desculpas, trabalhamos permanentemente com o Centro de Segurança e Saúde no Trabalho para cada vez mais formarem-se patrões e empregadores responsáveis. A nossa missão é essencialmente sensibilizar e não punir”, disse.

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