Grupo teatral Excesso de Cor leva ao Elinga “preconceitos vividos pelos albinos no país”

O conjunto formado em 2019 tenciona expandir-se ao país, bem como ao nível da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, para combater o preconceito e superstições em torno do albinismo

“Ingratidão” é o título de uma peça teatral de intervenção social, que será mostrada a 15 do mês corrente no palco do Elinga Teatro, em Luanda, por sete actores albinos que compõem o grupo Excesso de Cor. A obra que será exibida em duas sessões, às 20 horas e às 21 e 30 minutos foi escrita e ensinada por Walter Cristóvão.

A mesma retrata a vida de três jovens albinos, Daniel Okavango, Maura Alicia e Mariana Diogo, que tentam ter uma vida normal, isentando o facto de serem albinos. Devido à questão, os jovens deparam-se com enormes dificuldades, como a discriminação e superstiçãoes social, que lhes impossibilita a concretização dos seus projectos.

O porta-voz e director do grupo, Anderson Manuel, em conversa com este jornal, explicou que a obra foi baseada em factos autênticos, vividas por cidadãos com albinismo no país. Referiu que a peça foi concebida com o objectivo de combater a não inclusão social dos albinos no país, assim como lutar contra o preconceito e superstições que lhes são atribuídos. Por essa razão, o projecto envolve actores com albinismo, de modo a tornar o trabalho impactante.

“Há muitas superstições em torno desta questão. É ali onde nós entramos, na luta da não inclusão dos albinos na sociedade. Muitos deles são quadros formados, mas não são aceites em várias instituições por serem o que são e, principalmente, devido às superstições inventadas. É uma peça jamais vista no país e acreditamos que trará uma forte mensagem e impacto social”, enalteceu.

Outras exibições

Além destas apresentações, o grupo tenciona expandir o trabalho ao país, bem como ao nível da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, a começar por Moçambique. O director do conjunto explicou que, diferente de outros países, os cidadãos albinos naquele Estado enfrentam enormes dificuldades, no que concerne ao assunto. “Com base em pesquisas, tivemos conhecimento que há cidadãos que são perseguidos por serem o que são.

Noutros países africanos, usam o corpo deles para a prática de feitíssimos. São muitos os argumentos que nós pretendemos acabar, para que assim possamos viver e desfrutar a vida, conforme acontece com os demais cidadãos. Queremos mostrar ao mundo que os albinos são seres normais, apesar de terem essa doença genética”, enfatizou

O projecto

O grupo “Excesso de cor” foi formado no WhatsApp, através de um grupo de amigos que se interessaram em abordar a questão do albinismo. A peça começou a ser montada em Outubro de 2019, numa iniciativa do encenador Walter Cristóvão e o actor Anderson Manuel. A mesma foi concluída em Janeiro do ano corrente.

Albinismo

O albinismo é uma doença congênita caracterizado pela ausência completa ou parcial de pigmento na pele, cabelos e olhos, devido à ausência ou defeito de uma enzima envolvida na produção de melanina.

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