NGA e Prodígio reafirmam cumplicidade em palco na apresentação de “Castelos dos Filhos das Ruas”

Para os meros espectadores, o show pôde ter corrido a “mil maravilhas”, mas para a imprensa, nem tanto, devido à desorganização por parte da equipa de assessoria em consonância com os seguranças, que chegaram, inclusive, a agredir um fã, que só tentou mostrar amor pelos cantores

Os cantores NGA e Prodígio, do grupo de rap Força Suprema, espelharam cumplicidade na apresentação dos seus mais recentes álbuns, neste Sábado, 8, no Cine Atlântico em Luanda. Trata-se de “Filho das Ruas”, de NGA, que comporta dez faixas musicais, e “Castelos”, de Prodígio, com 16 músicas, ambos lançados em primeira mão na Praça da Independência, em 2019. A ideia do nome do concerto “Castelos dos Filhos das Ruas” resultou da fusão das obras discográficas acima referidas.

Após várias horas de animação do DJ O’Mix, Prodígio, esbanjando “ginga”, de óculos escuros, empunhado de uma garrafa de água na mão direita e microfone na esquerda, trajado das famosas calças “manjucuvier” pretas, com um pulôver predominantemente da mesma cor e parcialmente alaranjado, entrava no palco do Cine Atlântico, rimando “Tá Brinka Com Quem”, um dos hits com mais visualizações da mixtape Cozinha Aberta Volume 3, sob o carimbo da Dope Muzic. Gentilmente, agradeceu ao público por estar presente no evento e pelo apoio que lhe tem vindo a dar. ”Vocês alimentam os nossos filhos”, reconheceu, mostrando a sua “Cara Preta”, que “Exagera” quando o assunto é “Swagg All Ova Me”. “Eu Pra M…a Não Volto” foi o que NGA cantava quando apresentou-se à plateia.

King, como também é conhecido, diferenciava-se do Prodígio nas vestes apenas pelo facto de o seu pulôver ser predominantemente verde, que contrastava com as luzes lilases, azuis e brancas dos holofotes. Apesar dos gritos estrepitantes, NGA actuava “Olho Por Olho”, mostrando ser “Colossal” numa participação do seu puto Prodígio, na “Urna” onde, supostamente, descansam os “restos mortais” do Projecto X.

NGA que aconselha qualquer um a ser “P.C.A.”, embora seja solteiro “Depois das Cinco” agradeceu por manterem o “Real Nigga Vivo” e mostrou que “Deus é Pra Todos”, mesmo longe de ser “Perfeito”. Este facto, mereceu-lhe aplausos e uma legião de pessoas gritando o seu nome repetidas vezes, como reconhecimento do trabalho que tem feito. Assim, sem o Gson, do grupo Wet Bed Gang, Prodígio entoou “Down”, o que lhe fez lembrar dos “Olhos Azuis” do seu pai, kota Moniz. A seguir, NGA fazia os planos de “Quando o Kumbu Cair”, à procura “D1 Luv”.

Outras canções “Porque é Assim” explicava NGA em métricas a “Má Vida” que tinha com Dji Tafinha, sem saber “Qual é o Mambo?”, perturbado dizia “Diabo Não Fala Comigo”, num “Castelo de Areia”, onde o Prodígio arrependia-se ao lado de Anna Joyce por dizer há uns anos com a Aghata ao seu filho Bruno que os “Homens Não Choram”. “Essas tatuagens escondem essas minhas cicatrizes, porque eu perdi o meu maior diamante, ela era linda, ela era bela e migrante”, com esses versos, NGA lembrava-se da sua falecida mãe, dona Tina, o que contagiou a plateia e instalou-se a tristeza. “Deus Me Perdoa” suplicava Prodígio, finalizando o concerto com NGA “Mesmo Assim”.

14 De Fevereiro de 2020 sem “Prenda” Tornou-se tradicional a Força Suprema lançar uma mixtape de músicas que giram em torno do amor no dia 14 de Fevereiro, mas não será o caso do presente ano, disse a OPAÍS Don G, membro da formação. O nigga referiu que os cantores actualmente estão a imitar isto, e desta forma, a FS decidiu mudar a estratégia e ouvir as músicas que se estão a fazer para o Dia dos Namorados. Já em relação ao show, adiantou que os dois álbuns estão a ser apresentados em simultâneo porque tudo partiu do princípio de se fazer algo diferente. “É mais uma forma de agraciarmos as pessoas. Já devíamos ter feito este show no ano passado, não conseguimos por causa das circunstâncias e agendas”, justificou.

Desorganização

A Imprensa reclamou do facto de a equipa de assessoria não ter programado devidamente as entrevistas aos cantores. Por se tratar de muitos órgãos a cobrir a actividade, Bruno António, da Tv Bwé Nice, sugeriu que se fizesse uma entrevista colectiva e não inúmeras exclusivas, para não cansar os rappers, que actuaram durante cerca de 3 horas. Por isso, nem todos os meios de comunicação presentes na actividade, incluindo este jornal, chegaram a conversar com os cantores. A equipa de segurança que protegia o camarim, ousou-se a fechar a porta à cara da Imprensa várias vezes, o que se traduziu numa enorme falta de educação. Além disso, durante o show, euforicamente um fã subiu ao palco para tentar abraçar os cantores, mas logo foi barrado pelos seguranças e em seguida foi brutalmente agredido com chapadas, constatou O PAÍS.

Quase ao fim do concerto, um outro fã saltou para o palco, este conseguiu abraçar o rapper Prodígio, que se fazia acompanhar de Anna Joyce. Porém, para descer, após os ter cumprimentado, foi difícil para o admirador. Recusava-se, com medo de ser agredido pelos seguranças. Assim, pediu ajuda de Prodígio. “Por favor, me ajuda. Eles vão-me bater”, implorava. Prodígio acreditou que os seguranças não tocariam no jovem. Mas o medo do fã foi tanto que o nigga foi forçado a interromper a performance e advertir aos seguranças que não tocassem mesmo no jovem. Prodígio tem uma aversão enorme à violência, tal como transparece nas suas músicas. O músico já foi espancado num carro da Polícia, em Portugal.

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