O ente de Fevereiro

Fala em calar as armas a União Africana. Na verdade, este discurso não é novo, vem de há muito. Entretanto, os mesmos líderes que vão a Adis Abeba dizer palavras de paz e pelo progresso do continente, já na viagem de regresso estão a engendrar formas de eliminar adversários e consolidar o poder. E cada um no seu cantinho vai minando os sonhos de todo o continente. Há aspectos a notar nas cimeiras da União Africana, curiosos e talvez signifi cativos. Muito signifi cativos. Um é que quase não há cimeira sem um “professor” externo. Podem chamá-lo de convidado, mas eu não vejo as aberturas das cimeiras da União Europeia com a presença de líderes africanos ou das Nações Unidas e com direito a discurso e tudo, muitas vezes a dar verdadeiras lições, algumas derivadas de certa ignorância e preconceitos e com os líderes anfi triões todos a aplaudir. O outro, que determina o estado em que se encontra o continente, é a falta da união e da criação de mecanismos directores, leis e regras comummente aceites e aplicadas. Tem de se criar práticas obrigatórias em todos os Estados. Os africanos devem saber mais sobre a União, que hoje não passa de um ente de que se ouve falar em Fevereiro. Por exemplo, quantos estados ou instituições estatais hasteiam a bandeira da União Africana? Querem os líderes falar em paz sem criarem antes ideias comuns e pontos de encontro? Sem incentivar a que os africanos se encontrem, se conheçam e convivam sob regras únicas, oportunidades partilhadas e tarefas em prol de todos? Ainda bem que este filme só se vê uma vez por ano, em Fevereiro.

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