A boa-nova de Lourenço em Adis Abeba

Pelas últimas declarações em Adis Abeba, pode-se dizer que valeu a pena a participação de João Lourenço na Cimeira da União Africana, que normalmente costumam a ser encontros de que quase nada de novo sai. Se falou do apoio e do encorajamento da parte de António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, às suas iniciativas para a pacifi cação dos Grandes Lagos, porque o envolvimento internacional é importante, já que queira-se ou não as grandes potências mundiais são parte interessada no que se passa na região, Lourenço anunciou uma outra iniciativa que, se consumada e levada avante, pode começar a estruturar um novo nível de importância da União Africana. Falou de uma nova postura do continente face ao terrorismo.

Com efeito, o fenómeno do terrorismo em África tem sido olhado como assunto para ser resolvido por cada Estado por ele afectado. Em consequência, os que têm a peçonha simplesmente se viram para as grandes potências mundiais em busca de apoio. Como resultado, África tem uma cada vez maior presença de forças externas a actuar no seu território, com todas as consequências que depois recaem sobre Estados ainda frágeis.

A Cimeira dedicada ao fenómeno do terrorismo que Lourenço anunciou à imprensa para breve é uma boa notícia. Signifi ca que os africanos resolveram buscar em si mesmos a força e as estratégias para combater o fenómeno, que pode ter causas endógenas muito específi cas e do qual nenhum país está livre.

O que se pode esperar é que nesta futura Cimeira os dirigentes do continente discutam muito mais que as opções de cooperação militar e de segurança. Há que olhar bem para o continente, para as lideranças, para os caminhos do desenvolvimento e para o acesso dos povos às suas próprias riquezas e soberania. Mas sim, já dá para sentir que os líderes africanos começam a “se tocar”. A paz e o progresso africano têm de ser realizados em conjunto.

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