Aeroporto internacional do Luau “transformado” num elefante branco

Está praticamente inoperante devido à ausência de voos de carreira para esta localidade que dista mil e 442 quilómetros de Luanda, a capital do país, havendo a frequência apenas de 4 a 6 aviões militares/mês

Construído de raiz em 2013 e inaugurado a 14 de Fevereiro de 2015 pelo Presidente da República José Eduardo dos Santos, e baptizado com o nome de general Rafael Sapilinha Sambalanga, esta imponente infra-estrutura pode transformar-se num “elefante branco” caso permaneça como está. Equipado com tecnologia de ponta, o aeroporto instalado a sete quilómetros do Luau, antiga vila Teixeira de Sousa, não está a ser aproveitado como devia, tendo em conta o seu objectivo estratégico.

Está praticamente inoperante devido à ausência de voos de carreira para esta localidade que dista mil e 442 quilómetros de Luanda, a capital do país, havendo a frequência apenas de 4 a 6 aviões militares/ mês, segundo o seu director, Domingos Vasco. Em breves declarações à imprensa, o responsável informou que outros voos são alugados pela banca, e devido à falta regular de aviões, alguns equipamentos foram transferidos para os aeroportos de Saurimo, na Lunda-Sul, e para o do Luena, capital do Moxico, para não se deteriorarem.

Com uma pista de dois mil e 600 metros de comprimento e 45 de largura, de acordo com a fonte, o envio destes equipamentos partiu de uma decisão da antiga direcção ENANA, actual SGA para melhor rentabilizá-los. Domingos Vasco informou que devido à sua localização estratégica, o aeroporto general Rafael Sapilinha Sambalanga já recebeu solicitações de companhias aéreas da República da Zâmbia e da República Democrática do Congo(RDC) para realizarem voos de carreira. Segundo a fonte, a situação está a ser estudada pelas autoridades competentes de ambos países, e uma vez que seja concretizada a ideia, o aeroporto será melhor aproveitado em termos de rentabilidade.

Com um investimento de 7 mil milhões de dólares, o aeroporto, com a capacidade de receber aviões de tipo Boeing 737, para além das solicitações de companhias áreas da RDC e da Zâmbia, recebeu também de companhias nacionais que operam no Leste do país. Com a capacidade de acolher 120 passageiros, este aeroporto possui a maior torre de controlo de todos os aeroportos de Angola. Por falta de serviços regulares, apenas três funcionários efectivos garantem a operacionalidade deste empreendimento, tendo outros que são colaboradores na área de saneamento.

Plataforma logística da SADC

Por seu turno, o administrador municipal do Luau, Valeriano Chimo Cassuié, em conversa com os jornalistas disse que o aeroporto foi construído para ser transformado numa plataforma logística da SADC, tendo em conta a sua localização geográfica. O responsável informou que à semelhança do Caminho de Ferro de Benguela (CFB) que liga à República Democrática do Congo e a Zâmbia, o aeroporto poderá facilitar a mobilidade dos homens de negócio a nível dos países da região, a partir deste ponto de Angola.

O aeroporto e os caminhos de ferro, atendo-se às declarações da fonte, além de facilitarem a circulação de pessoas e bens, poderão facilitar também o turismo. Apontou como experiência piloto o comboio turístico realizado no ano passado a partir de Dar- el- Salam, na Tanzânia, até ao Lobito. Vasco Cassuié está confiante de que o aeroporto instalado no seu município poderá corresponder às expectativas dos angolanos, bem como dos países vizinhos num horizonte temporal que não precisou.

O novo aeroporto Anteriormente era uma estrutura precária localizada no centro da cidade, construído em 1952, sob o nome de Aeródromo de Recurso de Vila Teixeira de Sousa, servindo como base da Força Aérea Portuguesa. Foi transferido para as margens da rodovia EN-240, a 7 quilómetros do centro da cidade de Luau. Recebeu o nome do destacado militar e diplomata angolano general Rafael Sapilinha Sambalanga.

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