Fraco aproveitamento da água da Tocota gera perdas de USD milhões

O centro turístico da Tocota, situado a cinco quilómetros da sede do município da Conda, província do Cuanza Sul, está abandonado e pela sua dimensão turística e cultural o país perde milhões de dólares, uma vez que a água é medicinal e indicada para a cura de doenças reumáticas, infecções da pele, segundo disse a OPAÍS, o engenheiro em geologia e minas José Martins Caxinda

O Centro Turístico da Tocota, localizado na base da Montanha do Dragão, tem uma nascente que jorra água quente, a uma temperatura de 43.2 graus centígrados e um pequeno tanque que recebe água vinda do interior da montanha. Aparentemente simples, o lugar, oficialmente conhecido como Centro Turístico do Tocota, tem um potencial turístico gigantesco. A sua paisagem confirma. A Montanha do Dragão, como é chamada, é de uma beleza bem característica desta região com uma vegetação densa.

De manhã, o cenário é diferente, uma vez que muita gente se dirige ao local para lavar a roupa ou tomar banho no pequeno tanque, que deixa sair, por pequenos regatos canalizados, a água em excesso. Segundo contam os habitantes, a descoberta destas águas ao ar livre é atribuída a um caçador antigo desta região, conhecido como Candjosso. Mas só em 1968 começaram a ser exploradas pelos colonos dessa localidade.

Um enorme tubo vem desde o interior da montanha, de onde brota a nascente, e termina no tanque pequeno. A temperatura serviu de mote de conversa, no local, entre a equipa de reportagem de OPAÍS e o engenheiro em geologia e minas José Martins Caxinda. Explicou que a mesma se deve ao facto de elas escorrerem de rochas magmáticas aí existentes há milhões de anos.

Declarou que os estudos geográficos apontam que o local surgiu em consequência de processos vulcânicos, uma vez que as características físicas e geográficas existentes no município da Conda demonstram que foi uma zona vulcânica. O engenheiro explicou que os canais dessa água são as falhas, atendendo que a sua alta pressão encontra espaços de fuga nas rochas que se encontram nas grandes profundidades. “Ela é expulsa”, especificou. Acrescentou de seguida que “essas aberturas são chamadas de falhas pelo facto de não serem provocadas pelo homem, mas sim, pelos movimentos tectónicos. E, por essa razão, as águas são chamadas de termais, dada a sua temperatura”.

A nossa equipa de reportagem pôde constatar no local que o mesmo é frequentado por turistas nacionais e estrangeiros, porém, não dispõe de qualquer estrutura de apoio. Nem sequer uma pousada que permita às pessoas se hospedarem e desfrutar de uma paisagem magnífica e de um ambiente de “autêntico paraíso”, pelo que estão limitados a fazerem piqueniques.

Turistas usam a água com fins medicinais Adelino João, que lá se encontrava, contou que recebem semanalmente centenas de turistas, cada um com o seu objectivo específico. Alguns apenas curiosos para conhecer o local, outros para desfrutar da natureza e há ainda quem acorre com o intuito de usar a água com fins medicinais. Informação confirmada pelo engenheiro José Caxinda. Segundo ele, a água da piscina da Tocota é medicinal e apropriada para a cura de doenças reumáticas e infecções da pele.

“Se nós estivéssemos atentos a importância de um lugar como este, poderíamos construir aqui um hospital para que tudo o que é doença infecciosa, como a sarna, piolhos e todas aquelas infecções da pele fossem tratadas nesse local”, disse. Para este engenheiro, se existisse um hospital de especialistas em termos medicinais nesta localidde, muitas doenças ou infecções seriam tratadas a custo zero e sem necessidade de se recorrer aos grandes hospitais. Por outro lado, afirmou que estudos científicos revelam que já não é possível ocorrer um processo vulcânico na Conda por se estar nesta altura na presença de um “vulcão adormecido”.

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