“Fissuras” podem derrubar CASA-CE em Benguela

em causa estará a nomeação de Gabriel Chimbinda, pelo secretário provincial executivo da CASA-CE, para ocupar o cargo de responsável das finanças da coligação. Membros da coligação já teriam tentado raptar o chefe local

Constantino Eduardo em Benguela

Alguns membros acusam o responsável de estar a indigitar para a estrutura directiva membros de sua inteira confiança. Este, por sua vez, desmentiu tais informações. Quando questionado se a CASA-CE estaria ou não a viver uma crise derivada de um desentendimento, o secretário provincial Zeferino Kuvíngua garantiu terem sido já ultrapassadas as questões que estremeceram a estrutura da coligação em Benguela em 2019, mas fontes de OPAÍS dizem que ainda prevalece a crise.

Segundo fontes consultadas por este jornal, a crise deveu-se pelo facto de o secretário ter indigitado Gabriel Chimbinda, do Bloco Democrático, para exercer o cargo de responsável das finanças, o que não terá agradado a outros, por, alegadamente, este ser da confiança do secretário. Houve quem defendesse que a pasta fosse ocupada por Hilário Camate, do Partido Nacional de Sal
vação de Angola (PNSA) um dos integrantes desta coligação.

De acordo ainda com a nossa fonte, dada a sua natureza, o secretário provincial deve colocar pessoas de sua inteira confiança, de modo a não comprometer/condicionar a gestão.

A fonte esclarece também que, nos termos do pacto firmado pelos partidos coligados, cada formação deveria ocupar um cargo na estrutura directiva. Deste modo, face à recusa dos seus pares, adianta, uma vez que o problema se traduziu na contestação ao responsável pelas finanças do partido, Cuvíngua nomeou Gervásio Cândido, do PPA, uma outra força da CASA-CE. Ainda assim os contestatários não se sentiram confortáveis e pretendiam que Martins Domingos, o secretário adjunto, fosse o gestor dos fundos da organização, argumentando que o actual secretário estaria a geri-los mal.

O clima tornou-se tão insustentável que o secretário executivo da CASA-CE na província tinha manifestado o interesse de abandonar o cargo, não fosse a Comissão Política do Bloco Democrático, partido de que é membro, desaconselhá-lo a tomar tal decisão com receio de criar problemas maiores. “Pois, nos termos do pacto, o Bloco dirige as províncias de Benguela e do Huambo. Antes, dirigia também a de Cabinda, mas foi-lhe retirada. Cada partido da coligação tem direito a dirigir 3 a 4 províncias”, esclarece um alto responsável da coligação em Benguela.

Uma outra fonte revelou a OPAÍS que, em função do desentendimento com os seus pares na coligação, tudo por causa do controlo dos mais de 800 mil kz que a direcção local recebe trimestralmente, o secretário provincial tinha sido vítima de uma tentativa de sequestro. Este facto foi confirmado por Zeferino Cuvíngua, garantindo estar a correr os trâmites legais um processo-crime na Procuradoria Geral da República, intentado por si, contra Hilário Camate e um outro cidadão identificado apenas por Mujanga. Sobre este processo, Cuvíngua recusou-se a avançar mais pormenores, alegando segredo de justiça. E realça que o assunto já é do conhecimento da estrutura central da CASA-CE.

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