Silêncio “expresso”

há pouco mais de uma semana, uma publicação do jornal português Expresso deixou Angola quase em transe. Os órgãos de comunicação social retomaram a matéria, divulgaram análises, debates, etc. As autoridades pronunciaram-se, algumas vezes de forma acusatória. A condenação à visada foi a tónica.

O julgamento público foi feito com toda a lenha disponível parta a fogueira. Agora, o mesmo jornal publicou matéria relacionada (suposto desvio de dinheiros e enriquecimento ilícito), mas tendo ao centro uma figura ligada ao poder político e em funções efectivas. Documentos sobre depósitos bancários surgiram nas redes sociais, como prova do que estava escrito. E fez-se silêncio. Nem a Casa Civil, nem o Banco Nacional, nem a Procuradoria Geral da República.

Nada, apenas silêncio em oposição à notícia e ao que corre nas redes sociais. Nesta Terça-feira, o banco citado pelo Expresso, o BAI, lá fez sair uma nota anunciando a abertura de um processo-crime contra a pessoa que vazou a informação.

Mas na nota, pelo menos naquilo que foi citado pela ANGOP, nem uma só referência ao assunto, nada do nome do visado (por isso também não o digo), nada dos montantes referenciados, nada sobre a legalidade, ou não, das transferências e depósitos. Estamos a falar do mesmo país, Angola, de cidadãos seus, angolanos, e do mesmo tipo de suspeita, enriquecimento ilícito. Mas parece que aqui o sinal de igual não é bem o que se aprende na escola.

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