S&P também não recomenda investimento em angola

a agência Standard & Poor’s (S&P) manteve a notação de risco de Angola em “B-/B” (abaixo da recomendação de investimento) mas reviu em baixa de estável para negativo a perspectiva de evolução do país, segundo uma nota de análise divulgada Segunda-feira

Macau Hub

“A perspectiva de evolução negativa reflecte a possibilidade de uma descida, caso o elevado nível de dívida pública torne insustentáveis as necessidades de financiamento ou se as pressões orçamentais ou externas levarem a défices gémeos [externo e orçamental] maiores do que o previsto”, lê-se na nota que acompanha o anúncio.

Na explicação da revisão da notação de risco, que é mantido em “B/B”, ou seja, abaixo da recomendação de investimento, os analistas da Standard & Poor’s sublinham que “o peso da dívida tem subido rapidamente e apontam que dívida subiu de 88,6% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2018 para 103% do PIB em 2019, quando estava em 30% em 2014.” Esta forte subida entre 2018 e 2019 “resultou, principalmente, da queda de mais de 56% no valor do Kwanza” face às principais divisas, adiantam, mas nos próximos anos a expectativa dos analistas é que a dívida desça.

A nível macroeconómico, a S&P espera que Angola regresse ao crescimento já este ano, com uma expansão de 1,0% do PIB, depois de no ano passado ter visto novamente a riqueza contrair-se em 1,1%. Para 2021 é prevista uma aceleração para 1,5%, e depois 2,5% no ano seguinte e 2,8% em 2023, bem abaixo dos 4,8% registados em 2014, ano em que a descida do preço do petróleo fez a economia de Angola abrandar, primeiro, e recuar, depois.

(Macauhub) é a segunda não recomendação este ano Já em finais de Janeiro outra agencia de notação, a Fitch dizia que Angola mantém risco muito elevado para investidores. Os níveis gerais de risco para os investidores que ponderem investir em Angola “permanecerão elevados” no curto e no médio prazo, conclui a Fitch, uma das três agências globais que classificam o nível de risco da dívida soberana Angolana. Num relatório distribuído a investidores a 27 de Janeiro e a que OPAÍS teve acesso, a empresa de rating afirma que o actual ambiente de negócios, que é classificado como “desafiante” é moldado pela recente crise económica que atingiu o país, as experiências de seca e o nível moderado do preço do petróleo.

Factores que, segundo o relatório, “aumentam os riscos relacionados com o comércio e o investimento, bem como os riscos de natureza laboral e logísticos em função da escassez de divisas, depreciação continuada do Kwanza, inflação significativa, aumento do custo do crédito solicitado pelas empresas e consumidores. Por outro lado, muitas operações comerciais são bloqueadas pela escassez de energia, água e combustível, num contexto em que as reservas cambiais continuam a reduzir-se.

error: Content is protected !!