Trabalhadores do HCTA em greve

as diferenças abismais de salários e a falta de condições de trabalho, facto que lhes tem prejudicado a saúde, levaram os trabalhadores do Hotel de Convenções de Talatona (HCTA) a entrarem em greve, ontem, em Luanda

O presidente do Sindicato de Trabalhadores do Comércio, Hotelaria e Turismo da província de Luanda, Inácio César, explicou que a situação dos trabalhadores do HCTA é péssima, tendo em conta que o salário básico para um cozinheiro é de 22 mil e 500 Kwanzas, um valor que não é ajustado desde a fundação do hotel, em 2009. Apesar de ser um hotel de cinco estrelas, o ordenado não se compara com um hotel de quatro estrelas, nem um pequeno hotel.

“No Trópico, Baía, Avalade, nem mesmo o Hotel Presidente, que não têm a mesma categoria, as condições salariais são melhores”. O caricato é que, ao olhar para um funcionário do HCTA, se tem a ideia de que aufere um salário condigno. A luta para o aumento salarial vem desde 2009, tendo em conta que os novos funcionário auferem 50 a 60 mil Kz e os antigos continuam a ganhar 22 mil e 500 Kz. O sindicato questionou a direcção do hotel e esta invocou a situação económica do país.

Inácio César afirma que a empresa tem vários serviços que podem inverter a situação, “junto ao hotel há três vilas ocupadas pelas embaixadas e cada uma rende mensalmente entre 12 a 15 mil dólares”. A equipa do sindicato questionou o fundo salarial dos trabalhadores e não obtiveram resposta. “Tivemos vários encontros com a direcção do hotel, mas não houve êxitos, por isso, decretamos a greve desde ontem, que vai permanecer até a entidade empregadora estar aberta ao diálogo”.

Inácio César diz que não entende como há alarmantes violações laborais sem que haja algum pronunciamento da Inspecção-geral do Estado. No caderno reivindicativo dos trabalhadores do HCTA constam 11 pontos, dentre os quais o reajuste salarial na ordem dos 100%, acerto de categorias e salários de acordo com a função desempenhada, aumento dos subsídios de férias e de Natal para 100% e de transporte o equivalente a seis táxis/dia.

Pedem ainda seguro de saúde, subsídio de alimentação, serviço de transportes do pessoal, aquisição de uniformes, prestação de assistência médica e medicamentosa aos trabalhadores e valorização dos funcionários mais antigos. Uma funcionária, que falou sob anonimato, explicou que trabalha na instituição há nove anos e apenas viu o seu salário a ser ajustado uma vez e as condições de trabalho não registaram melhorias. As cozinheiras têm de transportar os produtos para confeccionar sobre a cabeça e subir as escadas por falta de elevadores.

Antes, nesta área trabalhavam 20 pessoas, agora, conta apenas com cinco, pelo facto de uma pessoa fazer o trabalho que antes era realizado por quatro. Assim, pelo excesso de trabalho, a nossa interlocutora e outras suas colegas têm enfrentado vários problemas de saúde, dizem. Um pasteleiro lamentou o facto de estar a auferir 75 mil Kz, quando o seu colega estrangeiro recebe o equivalente a 800 mil Kz. Uma empregada de quarto lamenta o reduzido número de pessoal na sua área, sendo que antes eram mais de 50 e agora trabalham apenas 17, sendo que uma empregada tem de ver um piso de 47 quartos. O jornal OPAÍS tentou contactar a direcção do Hotel, mas não teve sucesso porque encontravase reunida.

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