Classes iniciais arrancam com mais de 60 alunos na turma em Lumege-Cameia

Trata-se da Iniciação e 1ª Classes que possuem, respectivamente, 70 e 60 crianças, uma situação que a direcção da escola antevê criar inúmeros problemas para os professores

A directora da escola primária João Paulo II, número 38, localizada na sede de Lumege- Cameia, província do Moxico, Maria Margarida Inês Bartolomeu, está preocupada com o impacto negativo que a superlotação das salas poderá causar ao processo de ensino e aprendizagem, sobretudo nas duas primeiras classes do primeiro nível. Segundo ela, por causa da carência de estabelecimentos do ensino primário, nessas paragens da província mais a Leste de Angola, a recomendação que têm recebido dos órgãos superiores é de atender todas as crianças, o que coloca a quantidade taxativa de 40 a 45 crianças em cada turma.

“Só que para este ano lectivo de 2020, as duas turmas da Iniciação acabaram por ficar sob a responsabilidade de uma única professora, enquanto duas educadoras da 1ª Classe dividiram os alunos da terceira turma, recomendada a ser constituída pela repartição municipal, que havia prometido enviar professores, antes mesmo do início do presente ano escolar”, disse a Irmã Margarida, como é carinhosamente tratada na instituição que dirige, tendo adiantado que, depois de matriculados os miúdos de cinco e seis anos, não os podem mandar de volta para casa. Detalhando, esclareceu que a sua escola foi recomendada a constituir duas turmas da iniciação e três da 1ª Classe, sob pretexto de se ir diminuindo o número de crianças com idade escolar fora do sistema de ensino ao nível do município de Lumege- Cameia. Importa referir que em toda a extensão da sede municipal existem seis escolas primárias, um número que, a julgar pela população estudantil da referida área, a freira acha pouco.

Questionada se no ano passado teve efectivos suficientes que arcaram com as 18 turmas, distribuídas em dois períodos, já que a escola possui nove salas de aulas, a Irmã Margarida Bartolomeu revelou que quando a situação aperta, ela e as colegas da sua congregação são obrigadas a contratar e pagar professores ou voluntários ao ensino. “Mas neste ano, não vamos arriscar mais, porque não temos como pagar esses colaboradores”, desafogou, tendo acrescentado que para tal bastavam uma funcionária auxiliar de limpeza e uma professora da disciplina de ensino religioso, que a direcção achou por bem mantê-los. Curiosamente, a escola perdeu dois professores do grosso que detinha no ano lectivo passado, uma situação devidamente autorizada pela repartição municipal, que, segundo a directora da escola João Paulo II já tinha, sobre a sua mesa, uma solicitação de reforço do quadro docente.

“Um professor saiu para a sede da província (Luena), sob pretexto de continuar com a formação e o outro se transferiu mesmo para uma escola daqui do Lumege”, esclareceu a madre. Voltando à situação da superlotação, a Irmã Margarida, admitiu que este não será um ano lectivo fácil, a julgar pelos desafios preconizados pelo órgão reitor da educação e das necessidades educativas locais. “Por mais que um professor seja bastante competente, trabalhar com mais de 40 crianças de cinco e seis anos de idade constitui um desafio que ultrapassa as suas capacidades e outros factores implícitos e explícitos ao processo de ensino e aprendizagem”, observou.

Quadros e livros entre os problemas

De acordo com a interlocutora de OPAÍS, as pessoas devem ter mais sensibilidade e ponderação nos discursos políticos quando a situação impõe tratar os problemas de um corredor do Moxico, onde o meio de transporte mais viável para a população é o comboio. “Costumo a ouvir falar de meios de transporte aéreo, mas não são os cidadãos comuns que viajam por meio do mesmo. A estrada que liga o Luena ao nosso município está péssima, não tem asfalto e a terraplanagem quase não existe. Por isso, é fácil perceber que aqui falta um pouco de tudo”, desabafou. Sobre tal, a directora falou do desgaste dos quadros, ao ponto de não permitirem legibilidade aos alunos e professores, da falta de carteira e até de giz de cores variadas.

Outra situação por si levantada tem a ver com a merenda escolar, que, segundo ela, até já está a ser cobrada pelos petizes de cinco anos. “Quando dão merenda, só acontece já no terceiro trimestre e não por mais de duas semanas”, revelou a freira”, apelando aos responsáveis para que a distribuam regularmente, pelo menos para as crianças da Iniciação, 1ª e 2ª classes. Finalmente, informou que já voltou a remeter essas preocupações à Repartição Municipal da Educação de Lumege-Cameia, a fim de se dar cobro à situação. “Mas, pelos vistos, a solução vai tardar, porque tanto o director municipal, quanto o chefe do ensino geral, assim como o secretário, não se encontram a trabalhar, cada um por motivos próprios”, disse a Irmã Margarida, tendo revelado que uma funcionária da Administração municipal é que está a dar cobertura desses serviços.

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