Mulheres Jornalistas preocupadas com a pobreza nas comunidades

Esta organização alega que a exploração de recursos minerais em diversas partes do país não beneficia as populações locais, cuja vida é marcada por extrema pobreza

A directora do Gabinete de Gestão de Projectos do Fórum de Mulheres Jornalistas para a Igualdade de Género (FMJIG), Suzana Mendes, afirmou que para este novo ano, a organização vai focalizar as suas acções na questão do impacto da exploração de recursos minerais nas comunidades. A ideia é a de constatar e abordar o assunto de forma profunda e falar da realidade das pessoas que habitam nas zonas onde se exploram riquezas, mas que pouco ou quase nada beneficiam as populações locais.

Em entrevista a OPAÍS, sobre o balanço das actividades desenvolvidas no ano passado, Suzana Mendes disse que a organização pretende, ainda no ano em curso, desenvolver uma série de acções para esclarecer a população sobre as eleições autárquicas e a sua importância e debater sobre como os cidadãos poderão participar no processo elegendo e sendo eleitos. A agenda do Fórum de Mulheres Jornalistas para este ano vai também focar-se na formação de jornalistas e reforço da capacidade de intervenção dos seus membros. “2020 será também um ano em que estaremos muito focadas na vida interna da organização, pois queremos ampliar o número de membros e reforçar a acção em algumas províncias do país através dos nossos núcleos provinciais”, disse.

Igualdade de género

Relativamente à questão da igualdade de género em Angola, a responsável referiu que este continua a ser um tema importante de debate, reconhecendo que o país tem feito avanços, particularmente no quadro da legislação, em que apresenta um quadro legal que promove a igualdade de género. Apesar dos avanços, Suzana Mendes disse haver ainda muitos desafios pela frente, apontando o caso das políticas públicas que alega não se traduzirem no Orçamento Geral do Estado (OGE) e nem são cabimentadas as verbas necessárias para se implementar os objectivos traçados. Lembrou que a Lei 25/11 contra a violência doméstica, cuja iniciativa partiu da sua organização para a sua discussão e aprovação na Assembleia Nacional, estabelece uma série de medidas de protecção às vítimas de violência doméstica. Uma das medidas é a construção de casas de abrigo e de acolhimento, mas contra todas as expectativas, até ao momento poucas foram construídas, e, os sucessivos orçamentos, desde 2011, não atribuem o valor necessário para a edificação de habitações. “Muitas vítimas são obrigadas a continuar no lugar em que são maltratadas porque não têm para onde ir, muitas mulheres acabam por morrer”, denunciou Suzana Mendes.

Poucas mulheres a liderar

Apesar de as instituições políticas de topo se apresentarem com mais mulheres, ao nível intermédio, como as administrações municipais, direcções de institutos, escolas e empresas, Suzana Mendes disse que estes avanços não se notam, visto que as mulheres continuam relegadas para segundo plano e não têm voz na vida pública das comunidades onde estão inseridas. “Nas zonas rurais continuamos a observar desigualdades gritantes, agravadas por um sistema e práticas culturais que discriminam e excluem as mulheres. Tudo isso nos faz concluir que temos muito trabalho pela frente”, acrescentou.

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