Jornalistas impedidos de cobrir empossamento de administradores por falta de fato e gravata

Uma equipa de jornalistas pertencentes a Rádio Nacional de Angola e ao diário Jornal de Angola, foram impedidos esta semana de cobrir um acto de tomada de posse de novos administradores municipais nomeados pelo governador por não trajarem fato e gravata como pretendia o protocolo.

Fonte local garante que os jornalistas não receberam um convite em que vinha expressa tal “obrigação em termos de vestimenta, apesar de saber-se que constou recentemente que se tornaria obrigação tal traje nas idas a sede do Governo local”. Em nota o “Sindicato dos Jornalistas Angolanos (SJA) repudia, de maneira veemente, a atitude de funcionários do Governo da Província da Lunda-Norte que impediram os jornalistas da Rádio Nacional de Angola e do Jornal de Angola de cobrir um acto de empossamento dos administradores daquela província, por não se apresentarem de fato e gravata”.

O Sindicato dos Jornalistas Angolanos lembra que vestir-se de fato e gravata não consta no Estatuto dos Jornalistas como um dever profissional, tão pouco na Lei de Imprensa como um direito das fontes de exigir tal vestimenta. A nota do SJA refere ainda que a imposição aos jornalistas de se apresentarem trajados de fato e gravata não influencia a qualidade do jornalismo dos profissionais nem enobrece qualquer actividade sujeita à cobertura.

O SJA considera tratar-se de um “abuso de autoridade, falta de respeito e uma ofensa a dignidade profissional dos jornalistas, de Cabinda ao Cunene”, pelo que apela a um “veemente repúdio” a tal prática à dimensão nacional. O SJA considera, por fim, que atitude desta natureza é corolário do sentimento que alimenta muitos governos províncias de que os jornalistas dos órgãos públicos são seus funcionários, de quem deve dispor a bel-prazer.

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