Editorial: sabotagem interna

João Lourenço foi o primeiro a dizer, de viva voz, que queria ser fiscalizado, que quer opiniões diversas em Angola, pluralidade de imprensa e de pensamento, o que se trata de uma sábia opção, porque apenas assim poderá ter as luzes necessárias para bem governar. Quem governa por bem não tem receio das opiniões contrárias e da crítica, porque sabe lidar com elas, porque sabe rebatê-las e também absorve-las quando são válidas.

Na sua cruzada pela moralização da sociedade, João Lourenço elegeu também a luta contra a bajulação, que quer toda a gente alinhada e a partilhar uma única ideia, um único pensamento, o que seria desastroso para o país. Mas há já gente que se diz próxima de si a exercer autêntico milicianismo cipaio e pronta a atacar e a acabar com quem critique o Presidente.

Estão a juntar-se nuvens muito carregadas, estamos em dias de proibição de ideias contrárias das de quem governa ou de que quem quer parecer alinhado com o Governo, tudo contra as palavras do Presidente. Só pode ser sabotagem, porque o resultado já todos sabemos o que será, se esta corrente se prevalecer.

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