Ver o lado errado

Nos países democraticamente mais maduros há um calendário e as eleições simplesmente acontecem. Há debates e campanhas, claro, mas sobre assuntos que interessam aos cidadãos, que têm a ver com os seus problemas reais, com a sua vida. O importante é a busca de soluções, a máquina já está montada e funciona. Em África, e em Angola também, infelizmente, as eleições são elas próprias o grande tema, os políticos ocupam- se a discutir as cores, as marcas, as formas das eleições e deixam esquecidos os problemas reais das pessoas. Ou há incúria, ou uma deliberada falta de vontade que pode até ser criminosa, já que o atraso do continente em relação aos outros é gritante. Não há eleição sem contestação, sem desconfiança. Agora mesmo, em Angola, já sabemos que teremos um ano com a forma das eleições autárquicas no centro do debate, se vão ser simultâneas em todos os municípios ou se avançarão apenas em alguns, numa primeira fase. Mas não é tudo, há ainda a discussão sobre a direcção da Comissão Nacional Eleitoral, já que o concurso para o cargo de presidente da CNE acabou, como sempre, por produzir polémica que vai resultar num véu de suspeições desnecessárias. Está visto que a sociedade será entretida com estes dois assuntos, está visto que depois das eleições seguir-se- á a expressão fraude, está visto que uma vez mais a discussão sobre o que interessa às pessoas será esquecida, Esta é uma das diferenças entre os que avançam e um país como o nosso.

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