Importa a qualidade das pessoas?

Está na hora de o país se sentar e conversar sobre o dinheiro. Sim, sobre o “marimbondismo”, o “salalelismo”, o “ratismo” ocidental, dos que são amigos apenas de quem está com o dinheiro, os “camarimbondos” que agora enchem o peito e já querem crescer, os invertebrados que juram lealdade ao bolso do momento. Isto até pode dar num compêndio de biologia, como se vê, o dinheiro, digamos que é orgânico e por isso cria todo um carnaval em torno de si. Mas o problema não é o dinheiro, o problema está nos homens.

Fica toda a gente chocada quando se diz os montantes de dinheiro que o país gerou nas últimas duas década, olhamos para nós e somos um povo pobre, com poucas realizações, desgraçado. Depois ouvimos sobre o dinheiro posto lá fora e mais chocados fi camos, com raiva. Que falta nos faz! Mas ainda assim o problema é o dinheiro, nada a ver connosco. Vai daí, há culpados a punir exemplarmente, porque há fome e escasseia a prata, agora. Mas está na hora de nos fazermos outras perguntas: por que saiu tanto dinheiro e com tão pouco retorno? Por que se desperdiçou tanto dinheiro ao longo de décadas?

A resposta é simples: é só continuarmos com as lutas internas e o apontar de dedos que daqui a três décadas continuaremos na mesma conversa e com a mesma fome. Exemplos em África há em barda. Não se está a prestar a devida e séria atenção às instituições, nem ao homem que nelas vai trabalhar e dar-lhes alma. O problema está exactamente aqui, na qualidade da nossa cidadania e do nosso cidadão. O dinheiro foi desperdiçado porque não temos capacidade humana para lidar com ele, foi para fora porque precisámos até de expatriados até para servir à mesa, além dos gestortes e dos sistemas fi nanceiros de lá. O problema não é ter muito ou pouco dinheiro, está na inteligência que o manuseia.

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