José Eduardo dos Santos confirma ter autorizado a transferência dos 500 milhões de dólares

Numa carta enviada a Câmara de Crimes Comuns do Tribunal Supremo, datada de 6 de Fevereiro do corrente ano, o antigo Titular do Poder Executivo esclareceu que “nada foi feito de forma oculta como agora se pretende fazer crer”. Disse que estavam em preparação os decretos presidenciais que autorizavam a assinatura do acordo e a transferência do dinheiro. Um trabalho que estava a ser desenvolvido pelo Gabinete Jurídico do Presidente da República.

Esclareceu ainda que só não assinou o contrato porque na data prevista para o efeito os representantes do Sindicato Bancário que disponibilizaria o financiamento de 30 milhões de dólares não apareceu na audiência realizada no Palácio. Entretanto, esclareceu que orientou Valter Filipe para que comunicasse ao seu sucessor, Presidente João Lourenço, sobre a aludida linha de financiamento para que decisisse se pretendia dar sequência ou não.

Explicou que invalidou o relatório emitido por Archer Mangueira por ter desobedecido a sua orientação no sentido de o elaborarem em conjunto, com o governador do BNA, atendendo a complexidade da operação. No entanto esclareceu que lhes ordenou que fizessem um relatório conjunto, pelo que assim o fizeram. Por outro lado, disse ainda que só afastou o antigo ministro das Finanças, Archer Mangueira, porque tinha a agenda bastante apertada descartando a possibilidade de ter sido por outros motivos.

Declarou ainda que delegou a responsabilidade de negociar a Valter para que, na qualidade de governador do banco central, pudesse manter contacto com o Sindicato de Bancos. O Ministério Público classificou a carta como tendo vícios de forma. Posição essa que mereceu os protestos dos advogados, classificando-a como mera manobra dilatoria, uma vez que o conteúdo da carta acaba por ser desfavorável a acusação. Notícia em actualização.

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