Sem remédio

Afinal, parece que não tem solução o problema da hotelaria angolana, e com ele o do turismo. Os operadores não sabem o que fazem não querem saber. Já calhou cruzar-me com um amigo, que as pessoas costumam ouvir na LAC, numa sala de pequeno almoço de uma unidade hoteleira de Benguela e, curiosamente, reparamos nos mesmos aspectos: os sumos eram de pacote, a fruta, muito pouca, era importada, os bolos, queijos e carnes frias estavam em tabuleiros cobertos com um filme de plástico. O preço da diária na dita unidade (é assim que se diz em Angola), era de pelo menos trinta mil kwanzas. Não dá nem vontade de tomar o mata-bicho. Ainda em Benguela, imagine-se um hotel com o quarto a dezoito mil kwanzas, mas sem uma mesa para que o hóspede possa trabalhar ao computador, por exemplo, num quarto mais do que apertado. Não fiquei, ainda que tivesse a vantagem do estacionamento num parque privado. Eram dezassete mil kwanzas por noite. No hotel seguinte, na mesma rua, até há um móvel que ajuda a trabalhar no quarto modesto, mas o quarto-de-banho não tem um só copo, o frigobar, vazio, partilha a tomada com o computador e água quente só orando, mas com o calor destes dias nem é necessária. E custa dezoito mil kwanzas ficar aí uma noite. Não é tudo, tem algo em comum com a quase totalidade dos hotéis nacionais: é preciso implorar pela palavra-passe para a rede sem fios da Internet. E depois, bem, é melhor desistir, a rede é mais lenta do que um cágado. Por que carga de água os recepcionistas nunca entregam a palavra- passe? Mas neste vi ainda uma particularidade na tabela de preços afixada no balcão da recepção que não quis acreditar, perguntei e foi confirmado com pouca simpatia, do género, se já leste, por que perguntas? É que aos fins-de-semana prolongados os preços sobem mais do die quinze por cento. Alguém pode começar a vender autocaravanas em Angola por favor? O nosso turismo odeia hóspedes, ou, melhor, assalta-os.

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