Yuri Quixina: “Subir no doing business exige reforma do estado”

o executivo prevê subir 15 lugares no ranking dos países com melhor ambiente para fazer negócio. O professor de Macroeconomia, Yuri Quixina, afirma que tal só é possível com o Estado mínimo

O que representa a visita do secretário de Estado norte-americano, América, Mike Pompeo, nas relações entre os dois países?

Angola nunca recebeu líderes de grandes potências do mundo num só semestre e julgo ser importante aproveitarmos o apoio desses líderes. Mas é necessário talento para persuadir os investidores desses países.

Em que deve consistir esse talento de persuasão?

O sector económico deve acompanhar a passada do dinamismo da diplomacia. Para já, dou nota positiva ao ministro das Relações Exteriores que está a desenvolver um trabalho importante. Esse talento passa por criar um ambiente que transforma o país num campo de ‘batalha’ entre as grandes potências económicas. A vinda de Mike Pompeo a Angola representa que os Estados Unidos estão contentes com as tentativas de reforma em curso em Angola e prometem ajudar para que resultem, porque é vantajoso também para os seus interesses, pelo facto de Angola estar situada numa zona estratégica, do ponto de vista da geo-política mundial.

Que valor essa visita acrescenta às relações entre os dois países?

Até a própria Europa dependeu do oxigénio americano para se desenvolver. Vimos países que ficaram pelas relações com a China e com a Rússia e não se desenvolveram, porque também têm problemas estruturais. Angola exporta para os EUA antes do AGOA. Entre 1985 e 2003 Angola exportou mercadorias no valor de 42,9 mil milhões de dólares. O ministro da Economia acredita que o país pode subir 15 lugares no ‘Doing Business’.

Quais são os principais desafios?

Um dos principais desafios é reduzir o peso do Estado na economia. Sem a redução do Estado na economia não vamos subir no Doing Business. Os países que estão à frente do ranking, como a Nova Zelândia, Singapura, Hong Kong, Dinamarca e Suécia, têm E s t ado mínimo. Não têm o número de empresas públicas, institutos públicos e ministérios como os que temos aqui. Subir no Doing Business exige reforma do Estado, porque se olharmos para os critérios, concluímos que os desafios são claros. Abertura de empresa em 24 horas, facilitação de alvará de construção, registo de propriedade.

São um conjunto de condições que melhoram o ambiente de negócio. O Banco Mundial entende que um dos desafios é a mudança de hábitos das instituições e das pessoas. Mudança de mentalidade só é possível quando o Estado é mínimo, porque a ineficiência continuará a ser um problema. Se Angola não fizer reforma do Estado de facto, esquece. Não vai subir no Doing Business.

 

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