João Lourenço não comenta suposta proposta de negociações de Isabel dos Santos

O Presidente da República recusou-se, ontem, a comentar uma alegada proposta enviada pela empresária, ao passo que a assessoria da filha do antigo Presidente remeteu-se ao silêncio

O Presidente da República, João Lourenço, recusou-se a entrar em detalhes sobre o alegado pedido de negociação da filha do ex-Presidente José Eduardo dos Santos. João Lourenço informou aos jornalistas que recebe “milhares de cartas no Palácio”, mas, entretanto, não confirmou e nem descartou que uma delas pertencesse à cidadã Isabel dos Santos, de que, alega-se, de forma explicita terá feito um pedido de negociações, após o arresto de seus bens. “No palácio presidencial entram centenas, se não milhares de cartas de cidadãos. Se eu tiver que falar delas não farei de outra coisa se não tratar deste assunto”, disse o Presidente Lourenço, no final de uma visita de campo que efectou, ontem, à unidade fabril da Textang II, situada nos arredores de Luanda.

Entretanto, fontes do jornal português “Observador” adiantam que Isabel dos Santos terá mesmo solicitado negociações após o arresto de seus bens pela justiça angolana e da divulgação do Luanda Leaks. A mulher mais rica de África, que mantém o lugar, apesar do escândalo, figura na 14.ª posições do ranking dos milionários africanos divulgado Quarta-feira (19), pela revista Ceoworld- escreveu uma carta de uma página e meia ao Presidente da República, João Lourenço, em que fez um pedido explícito de negociações nos parágrafos quarto e quinto. Num deles fundamenta com o estado actual da economia nacional e a responsabilidade social, propondo uma plataforma segura de negociações.

Sugere a abertura de conversações que poderiam levar à devolução dos USD 1,1 mil milhões, que a filha primogénita do ex-Presidente da República, José Eduardo dos Santos, alegadamente deve ao Estado angolano, em troca do levantamento do arresto. O “Observador”, através da assessoria de imprensa de Isabel dos Santos, diz ter enviado perguntas sobre esta iniciativa, mas sem qualquer resposta até à data da publicação do seu artigo. Numa entrevista recente, Joao Lourenço foi peremptório em dizer que “não haveria qualquer negociação”. “Nós gostaríamos de deixar aqui garantias muito claras de que não se está a negociar”, rematou.

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