Pepetela é o vencedor do prémio literário das Correntes d’ Escritas

O júri do Prémio Casino da Póvoa escolheu a obra do escritor angolano Pepetela como vencedora entre 15 a concurso. O autor recebeu o Prémio Camões em 1997

Começou em 1972 com o livro As Aventuras de Ngunga e desde aí Pepetela nunca mais parou de escrever, só mudou a sua visão da sociedade angolana e da guerra colonial em que participou pelo MPLA. O seu romance Mayombe levouo, em 1979, a ser um dos autores angolanos que se revelavam na Angola independente, uma história de guerrilheiros presos numa densa mata e que se questionavam já sobre o regime pós-independência. Nascido em Benguela, em 1941, estudou no Intituto Superior Técnico e na Universidade de Lisboa, tendo integrado a liderança política que governou Angola após a independência, da qual veio a discordar e criticar nos seus romances.

Nas últimas duas décadas tem vivido muito tempo em Portugal e no Brasil. Em 1997 recebeu o Prémio Camões, sendo o primeiro escritor africano a vencer o galardão. Criou um personagem, o detetive Jaime Bunda, que protagonizou vários romances. O seu último romance, Sua Excelência, de Corpo Presente, é o homenageado pelo Prémio Literário do Casino da Póvoa, que todos os anos é atribuído durante as Correntes d’Escritas. Entre os mais de 120 livros a concurso, o júri, composto por Ana Daniela Soares, Carlos Quiroga, Isabel Pires de Lima, Paula Mendes Coelho e Valter Hugo Mãe, seleccionou 15 títulos como finalistas:

A Transparência do Tempo de Leonardo Padura, Bilac vê estrelas de Ruy Castro, Cair para dentro de Valério Romão, Ecologia de Joana Bértholo, Estuário de Lídia Jorge, Fabián e o Caos de Pedro Juan Gutiérrez, Memórias Secretas de Mário Cláudio, Ninguém Espera por Mim no Exílio de João Paulo Sousa, O Bebedor de Horizontes de Mia Couto, O Centro do Mundo de Ana Cristina Leonardo, O Invisível de Rui Lage, O Nervo Ótico de Maria Gaínza, Pátria de Fernando Aramburu, Sua Excelência, de Corpo Presente de Pepetela e Também os brancos sabem dançar de Kalaf Epalanga.

A 21ª edição do Correntes d’Escritas recebe este ano uma delegação de escritores catalães. Segundo o vereador da Cultura, Luís Diamantino, essa é a grande novidade: “A literatura catalã está cá em grande com exposições, participação de escritores em mesas e o Instituto Ramon Llull também estará presente”. Acrescentou que além de Barcelona também “convidamos Óbidos a fazer parte deste evento: quanto mais cidades que se dedicam aos livros estiverem envolvidas mais importante será e mais força teremos todos em conjunto”. Ente os escritores catalães estão Marta Orriols, Melcior Comes, Najat El Hachmi e Tina Vallés. A agenda da 21ª edição do Correntes d’Escritas tem um programa exaustivo que começou já nesta tarde de Quarta-feira com a Conferência de Abertura, proferida pelo arquiteto Álvaro Siza Vieira, que falou sobre a arquitetura, a arte e a literatura.

A escritora Hélia Correia é a homenageada da Revista Correntes d”Escritas nº 19, uma entre os 100 escritores de 14 nacionalidades diferentes presentes na Póvoa de Varzim. Após a conferência de Álvaro Siza Vieira, aconteceu uma conversa entre os escritores Jaime Rocha e Luís Carmelo e, logo de seguida, pelas 17.00, primeira mesa, sob o tema Já não (se) salva a literatura, que conta com a participação de Álvaro Laborinho Lúcio, António Colinas, Germano Almeida, Hélia Correia e Marta Bernardes, com moderação de José Carlos de Vasconcelos. Em seguida será a vez de Júlio Machado Vaz e Francisco Guedes, encerrando a primeira noite com um concerto de Mário Lúcio e Karyna Gomes.

error: Content is protected !!