Rumo ao fim das cidades

Benguela é a tal cidade mãe das cidades, é o que dizem os benguelenses, muito orgulhosos da sua terra. Bem, talvez por estes dias tenham de bater bola baixa, porque se for mãe, então, ou é daquelas que se sacrificam para os filhos estarem bem, ficando elas próprias andrajosas, ou é daquelas casas em que mãe e filhos são uma vergonha. E olhando para as cidades vizinhas…. Mas também se pode pensar num caso de solidariedade, com Benguela a assumir um pouco da poeira do Sumbe. Bem ao lado de Benguela está a cidade do Lobito, a “sala de visitas de Angola”. Por estes dias, o melhor é esquecer e não repetir isso. Nenhuma visita merece o estado em que está a sala. Está feia, irreconhecível. A mãe de todas as cidades e a sala de visitas de Angola dizem muito sobre como se trata das cidades angolanas, da noção que as autoridades têm do que deve ser uma cidade. Há falta de dinheiro, é verdade, mas isto não justifica tudo, não pode justificar tudo. Está na hora de se começar a valorizar o direito das pessoas a habitar bons espaços. E até de perceber os ganhos económicos e sociais quando se cuida bem das pessoas e das cidades. A brincar, a brincar, o tempo passa e Angola está a ficar sem aquilo a que se pode chamar de cidade.

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