Conjuntivite “visita” presos em cadeias de Benguela

Mais de 100 reclusos encarcerados em cinco cadeias de Benguela estão a ser assistidos no Hospital Geral infectados com o surto de conjuntivite que, ultimamente, vai tirando o sono às autoridades sanitárias de Benguela. Até aqui, os dados apontam para cerca de 900 pessoas infectadas

POR: Constantino Eduardo, em Benguela

No hospital geral de Benguela, maior unidade sanitária da província, dão entrada diariamente dezenas de pessoas que se queixam do surto hemorrágico de conjuntivite viral, uma epidemia contra a qual as autoridades estão empenhadas a lutar. Inicialmente eram apenas os municípios do litoral, com Benguela a ocupar o lugar cimeiro no gráfico, mas hoje o interior está também a reportar casos dessa natureza. Os especialistas apontam como causa da doença a poeira em que os benguelenses estão “mergulhados”, decorrentes da debilidade no saneamento básico e o estado avançado de degradação de algumas vias secundárias e terciárias.

No entanto, as autoridades locais manifestam-se preocupadas com os casos que se têm vindo a ser registar nos 5 estabelecimentos penitenciários da província, com destaque para os de Benguela e Lobito, e desmentem as informações postas a circular segundo as quais os reclusos não estariam a receber assistência médica e medicamentosa. De acordo com o coordenador da comissão de combate ao surto, médico oftalmologista Júlio Abréu, o facto tinha motivado uma reunião entre o Gabinete Provincial da Saúde e a Delegação do Ministério do Interior e descarta, desde já, qualquer discriminação contra a população penal. Desde que se diagnosticou o primeiro caso que os especialistas estão a prestar todo o apoio necessário, sem discriminação. “Até o surto não escolhe classe”, elucida o especialista.

O médico esclarece que até aqui a província já registou cerca de 900 casos de surto hemorrágico de conjuntivite, esclarecendo, contudo, que o quadro está controlado pelas autoridades. O paciente com conjuntivite, de acordo com os especialistas, sente comichão nos olhos e com a sensação de areia. O coordenador desaconselha a auto- medicação e diz haver condições no hospital para atender ra qualquer caso dessa natureza. Ao Gabinete de Crise da Saúde estão a ser reportados diariamente vários casos.

Como os especialistas apontam como causa da doença a poeira, o vice-governador provincial de Benguela para sector Técnico e Infra-estruturas, Leopoldo Muhongo, esclareceu que estão a ser tomadas uma série de medidas pelas administrações municipais da faixa litoral, com exepção da Baía-Farta, traduzidas em intervenção em algumas vias secundárias e terciárias para se inverter o actual quadro. Tal como o médico Júlio Abreu, o governante assegura que o surto, que vem assolando Benguela desde o final de Janeiro deste ano, está controlado pelas autoridades sanitárias a nível da província de Benguela.

error: Content is protected !!