Familiares e amigos consternados com a morte do músico Jorge Neto

De acordo com o produtor do músico, Zé orlando, Jorge Neto poderá ter apanhado uma infecção, tendo em conta que o Hospital Amadora Sintra não era adequado à patologia que o músico tinha

O cantor cabo-verdiano, Jorge Neto, antigo vocalista do famoso grupo Livity, conhecido pelo seu emblemático “uau”, faleceu, ontem, em Lisboa (Portugal), em consequência do Acidente Vascular Cerebral (AVC), ocorrido em Dezembro. Em declarações à Angop, o produtor do músico, Zé Orlando disse que Jorge Neto foi submetido a algumas intervenções cirúrgicas no Hospital São Francisco Xavier e depois transferido para Amadora Sintra. De acordo com o produtor, Jorge Neto poderá ter apanhado uma infecção, tendo em conta que o Hospital Amadora Sintra não era adequado para a patologia que o músico tinha. O artista que residia em Portugal e fez a carreira na Europa, sobretudo, junto das comunidades caboverdianas, sofreu um AVC, em casa, a 30 de Dezembro e estava desde então internado numa unidade hospitalar, em Lisboa, “em coma profundo”.

Ainda a 17 de Janeiro, Jorge Neto acordou do coma e foi transferido de unidade hospitalar. De acordo com informações confirmadas, então, pelo produtor musical Augusto Veiga, o cantor já reagia a estímulos externos, mas a recuperação considerava-se difícil. No princípio do mês em curso, os familiares do cantor pretendiam transferi-lo para uma clínica de reabilitação, mas para isso esperavam contar com apoio financeiro dos amigos. Por essa razão, a Sociedade cabo-verdiana, consternada com a morte do músico Jorge Neto, lançou uma campanha para angariar fundos de modo a apoiar financeiramente a transferência do malogrado para o referido espaço. Esta foi a segunda vez que o cantor teve um Acidente vascular cerebral. Em 2012, Jorge Neto já tinha sido hospitalizado, em Lisboa, com uma subida repentina de tensão arterial e um AVC, seguindo-se um longo período de recuperação.

Reacções

São várias as mensagens vindas de vários quadrantes da sociedade cabo-verdiana e das comunidades emigradas, por parte dos colegas e amigos. Nelas se prestam condolências à família e se lamenta a morte de um dos principais rostos (e vozes) da cultura popular daquele país. É o caso do Ministério da Cultura e Indústrias Criativas (MCIC), que lamentou a perda de “um ícone da cultura popular” “Artista de grande referência e magnitude, que durante anos vem elevando o nome da música tradicional do nosso país, com um estilo próprio e característico, tanto na forma de cantar como na sua performance no palco. Jorge Neto foi um percursor da música contemporânea cabo-verdiana, uma voz de grande eco de Cabo Verde e deixa-nos, assim, depois de passar por um momento muito delicado de saúde”, escreveu.

O MCIC destaca ainda o papel de Jorge Neto na união de Cabo Verde com a sua diáspora, antevendo que o artista “continuará a ser sempre uma referência às gerações futuras”. Também na página de Facebook do Kriol Jazz Festival está uma nota de pesar que é partilhada pela Harmonia e que faz uma “vénia a este que foi um dos nomes que marcou, intensamente, uma geração da música de Cabo Verde, no país e fora”. “Obrigado. Segue em paz Jorge Neto”, lê-se. O músico Gil Semedo, na sua página do Facebook, lamenta igualmente o sucedido. “Perdi um grande músico e amigo. Que Deus lhe dê um eterno descanso. Força e coragem para a sua família”.

O artista

Jorge Neto nasceu em São Tomé e Príncipe, em 1964, sendo fi lho de mãe cabo-verdiana. Estudou em Portugal e emigrou depois para a Holanda, país com forte presença da comunidade cabo-verdiana, onde fez sucesso na música, enquanto vocalista da banda Livity. Ao longo dos mais de 30 anos de carreira, fez sucesso em vários países, junto da comunidade emigrante cabo-verdiana, na Europa, África e América.

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