Ministro da justiça nega atraso na construção do monumento às vitimas de conflitos políticos

Francisco Queirós assegurou que o monumento será construído ainda dentro da actual legislatura, tendo pela frente mais dois anos

O ministro da Justiça e dos Direitos Humanos, Francisco Queirós, disse, ontem, ao OPAÍS, que não é verdade que o processo de construção do monumento em memória às vítimas de conflitos políticos se encontra atrasado, como acusam alguns segmentos da sociedade civil. De acordo com Francisco Queirós, o referido monumento será construído ainda dentro da actual legislatura, que tem pela frente mais dois anos. Conforme explicou, o projecto de construção do referido memorial, apresentado em Agosto do ano passado, contempla várias fases que devem ser rigorosamente obedecidas, sob pena de se desviar a ideia e os objectivos pelos quais foi criado. O ministro garantiu que o processo está a decorrer dentro do prazo previsto e do programa que está estabelecido, cujas metas e cronogramas devem ser cumpridos na íntegra.

“A construção do memorial é algo que necessita de algumas etapas, nomeadamente o projecto, onde devem ser incluídos especialistas e historiadores porque tem de reflectir a nossa cultura e a nossa tradição. Para isso, é preciso juntar vários especialistas, conhecimentos e sensibilidade”, notou. Às famílias das vitimas de conflitos políticos, a sociedade civil os outros interessados neste processo de reconciliação nacional, Francisco Queirós apelou a calma e serenidade, assegurando que tudo se está a fazer para que todos os pressupostos sejam efectivamente cumpridos. “A previsão é que antes de terminar a presente legislatura o memorial seja construído. O que importar reter é que a decisão está tomada e o consenso sobre essa matéria foi conseguido. Hoje, já não há dúvida do grande interesse que esse memorial tem para a reconciliação das vítimas de conflitos políticos”, esclareceu.

Relativamente a vozes que se levantam sobre a necessidade de o processo separar os diferentes conflitos políticos que o país atravessou, o ministro considerou ser uma situação que não faz sentido, porque o programa visa homenagear todas as vítimas do período de 1975 a 2002. “O país teve diferentes processos e conflitos políticos. Por isso, juntamos todos para se dar a devida homenagem. Houve, no princípio, alguma inquietação se todos os nomes deviam constar. Ma não é possível”, apontou. De referir que se pretende, com o referido plano, proporcionar um mecanismo para o diálogo convergente no sentido de alcançar a paz espiritual da sociedade e criar uma plataforma de abordagem dos pendentes de um passado doloroso que possam ameaçar a reconciliação. O plano visa igualmente dar tratamento às famílias e pessoas que sofreram com os males resultantes de episódios de violência física ou espiritual e construir as bases para tratamento social e institucional dos males específicos causados no contexto da guerra civil.

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