Alunos contribuem para manter limpos os WC de escolas públicas

As escolas públicas do ensino primário debatem-se, já há algum tempo, com a problemática da falta de higiene, muito por causa da falta de auxiliares de limpeza, sendo que em algumas unidades de ensino existe apenas uma funcionária a dar conta deste trabalho. Em muitas instituições, os estudantes e encarregados de educação unem-se para garantir a higiene dos WC

POR: texto de Stela Cambamba
fotos de Lito Cahongolo

O jornal OPAÍS visitou algumas escolas do ensino primário e I ciclo, onde constatou que estas instituições têm diversos problemas de limpeza, porquanto, se não houver a colaboração dos professores, alunos e encarregados de educação o quadro torna-se lastimável. Na escola primária número 58, no município do Cazenga, conversamos com a directora Graciete Carvalho Dias, que disse ser esta a decisão acertada, em função das dificuldades conjunturais para manter as casas de banho limpas. A direcção reuniu-se com os pais e encarregados de educação e apresentou o problema, sobretudo o de manter as casas de banho limpas. Na referida reunião, concluiu-se que os professores e os alunos do período da tarde deviam trabalhar no sentido de garantir tal higiene.

Quanto ao material necessário para a limpeza, a administração municipal fornece mensalmente, mas caso venham a registar algum déficit, os docentes e os estudantes contribuem com dinheiro para a aquisição do produto. “Uma das soluções encontradas para estancar o cheiro forte da urina é a de utilizarmos regularmente a lixivia em pó. A escala de trabalho é feita diariamente, e contamos com um professor e 10 alunos crescidos (adolescentes). A instituição alberga cerca de mil e 500 alunos, dos cinco aos 15 anos”, disse. A equipa de limpeza escolar trabalha no período da tarde, por ser nesta altura que não tem um profissional que se encarregue da higiene, uma vez que a escola conta com apenas um profissional desta área e para o período matinal.

Ainda no Cazenga, já na escola 3081, com o José Rocha, tomamos conhecimento de que para manter limpas as casas de banho desta instituição, solicitam também a colaboração dos alunos mais crescidos. O problema é o mesmo, da carência de recursos humanos para tal, e, por isso, os estudantes oferecem-se a garantir a prestação de tal serviço. A escola tem 15 salas de aulas, cerca de dois mil alunos e tem O director apelou à colaboração dos pais e encarregados de educação para contribuírem mais na escola onde estudam os seus filhos. José Rocha frisou que, para ver ultrapassada a difícil situação de manter a higiene, era preciso ter no mínimo oito auxiliares de limpeza, mas ainda assim continuar a contar com os préstimos da comunidade no desenvolvimento dos serviços sociais da instituição.

Comissão de pais funciona no Camama

No município do Talatona, o director do complexo escolar 9015, distrito urbano do Camama, João Francisco Cardoso, explicou que a sua instituição não tem cabimentação financeira e a escola que dirige é grande, tendo em conta que estudam nela mais de três mil e 570 alunos e tem 16 salas. Para manter a higiene nos WC contam com o apoio da comissão dos pais, que mensalmente tem fornecido material para higiene, como lixívia, detergentes em pó, baldes de lixo, vassouras, esfregonas. Apesar de a colaboração não ser a 100%, os que abraçaram a iniciativa equivalem os 40% dos encarregados, contudo, “a instituição agradece, tendo em conta que a cooperação dos encarregados é em todas as vertentes, quer seja para a compra do tinteiro, resmas de papel, manutenção das carteiras, bem como de embelezamento da escola, com a pintura, jardinagem e saneamento básico”.

A escola conta com quatro auxiliares de limpezas e uma contratada pela comissão de pais. Três trabalham no período da manhã e duas no período da tarde, e no período nocturno os alunos são sensibilizados a colaborar, no sentido de manterem o espaço limpo. Outra prática que é frequente na escola é a realização de campanhas de limpezas no interior e ao redor da instituição. A comparticipação dos pais é feita trimestralmente, com a disponibilização dos valores para a compra do material necessário para a limpeza. O coordenador da comissão de pais, Cândido Paulo, lembrou que a organização existe desde o primeiro ano de funcionamento da escola e foi criada com o objectivo de auxiliar a instituição nas mais variadas tarefas e dificuldades. Actualmente, a comissão conta com oito membros da direcção que realizam trabalho de forma intercalada, acompanhando as actividades diária na escola.

Encarregados irão produzir carteiras

Considerando que a instituição funciona há 11 anos e, até ao momento nunca foi contemplada com novas carteiras, e algumas salas registam a falta deste mobiliário, os encarregados de educação se predispuseram a comprar o material e produzir as carteiras. Outro facto que tem representado dificuldades, porque nem todos os pais se juntam a comissão, é a água da chuva que entra na instituição. Pelo facto de a escola estar próxima de um hospital, os encarregados estão preocupados, principalmente com a água que de lá sai e invade a escola. Entretanto, o subdirector administrativo do complexo escolar 9017 (São Domingos Sávio), Cipriano Chingutila, explicou que a sua instituição é comparticipada, mas, apesar disso, ainda têm muitas dificuldades em matéria de higiene nas casas de banhos.

Para manter a higiene nas casas de banho contam com seis auxiliares de limpeza e trimestralmente realizam campanhas gerais de limpeza. Cipriano Chingutila reconhece que o número é insuficiente, tendo em conta que a escola tem 21 salas de aulas e cada funcionária deve limpar não mais de quatro salas. Precisa de pelo menos oito auxiliares de limpeza. A dificuldade para manter as casas de banho limpas começa no período da tarde , já que as auxiliares de limpeza trabalham das seis horas às 14h, em função do número de alunos e as idades no período da manhã. De tarde e noite, por serem mais crescidos, são apenas sensibilizados a cuidarem da higiene do espaço e sobretudo das casas de banho. Outra preocupação apresentada pelo subdirector administrativo é a falta de água corrente na instituição, pelo facto, dependem do abastecimento de cisternas e gastam mensalmente mais de 70 mil Kwanzas.

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