Correria ao professorado compromete papel social dos professores

Os especialistas que deram a voz ao Jornal OPAÍS alertam a esses instrutores do sector de ensino que a abstenção no desempenho deste papel vai-lhes fazendo perder a confiança dos pais, encarregados de educação e das comunidades mais próximas

O sociólogo Carlos Jorge está preocupado com o facto de jovens sem vocação, metodológica e sentido social ingressarem no sector da educação, ao ponto de alertar aos órgãos de direito de que a primeira coisa que se perde é o papel social deste funcionário. “Nos dias actuais, com o êxodo das profissões, onde se verifica uma corrida ao professorado, mesmo algumas vezes sem vocação, já que é notório ser mais por necessidades, em função da à conjuntura, principalmente económica, não se dá o verdadeiro sentido desta componente”, lamentou Carlos Jorge.

Especialista, que considera a referida competência como um instrumento viável para o processo de ensino e aprendizagem, referiu que, actualmente, se assiste, na nossa sociedade, uma resolução ou mesmo uma desvalorização do papel social do professor. “O professor ocupa uma dimensão simbólica na vida do indivíduo, uma vez que o mesmo pode moldar a personalidade, o comportamento, carácter, fazendo, deste modo, parte da construção social do indivíduo, enquanto ente social, e garantindo aos cidadãos elementos de integração social”, explicou o sociólogo, tendo-se manifestado triste por estar a ver esta obrigação do professor cada vez mais esquecida ou não aplicada.

Carlos Jorge Salientou que a escola, enquanto agente de socialização, deve desempenhar uma função indispensável para as famílias, a comunidade e para o próprio Estado. Ele assegura estar nisso a importância e o dever de o ser aquele profissional que deve ser capaz de aglutinar valores sublimares na vida dos alunos, sendo modelo e referência para as futuras gerações, deixando assim marcas indeléveis na vida dos mesmos.

O entrevistado considera ser justamente neste capítulo em que se está a perder essa figura contada e esperada como a mola impulsionadora e exemplo a seguir para a boa convivência numa sociedade real, onde já não se faz esforço para ouvir que o educador estuprou a aluna, pediu dinheiro ao aluno, faltou às aulas mais de uma semana, sem prévio-aviso, enfim, uma série de práticas que deixam as crianças sem ter como lhe seguir as pegadas.

“Portanto, o professor devese capacitar, actualizando as suas metodologias, apurando o seu sentido social, uma vez que o processo de ensino e aprendizagem é dinâmico” recomendou.

“O dia está ganho” De forma irónica, o sociólogo Carlos disse que, quando ouve um professor a dizer isso, questiona-o, rapidamente, se as crianças também estão salvas. Curiosamente, segundo conta, a reacção dos docentes não costuma a ser das melhores. Assegura que o desabafo “o dia está ganho” quase que passou a ser uma palavra de ordem, após uma jornada de sessões de aulas, que o próprio professor já acha demorar tempo demais. De acordo com o interlocuror de OPAÍS, essa é uma demonstração clara de que o processo levado a cabo pelo funcionário não obedeceu todas as fases, muito menos respeitou e considerou os desafios que o uma jornada de aulas deixa sempre para a outra a seguir. Por causa disso, o sociólogo re
comenda às direcções de escola, de repartições municipais e gabinetes provinciais da Educação para que reforçarem o programa as actividades extra-curriculares e de recreação.

Grau de convivência de proximidade Por seu turno, o sociólogo Juca Majenje defende que os professores, principalmente os do nível primários, devem ser capazes de criar uma convivência de proximidade. Mas acrescenta que essa proximidade deve ser compreendida a dois níveis, sendo a primeira relativa ao pessoal e a segunda que tem a ver com o familiar. “Ao nível pessoal, o professor deve fazer o esforço profissional de conhecer o aluno, enquanto um ente social isolado do seu meio, para se certificar das suas habilidades natas ou adquiridas e, posteriormente, orientar as crianças ao aprendizado”, explicou.

Segundo o especialista, a proximidade familiar acontece na medida em que a convivência do professor com o meio do seu educando fizer compreender a capacidade de aprendizado do aluno para depois corrigir, adaptar ou melhorar. Quanto ao espaço de convivência, os professores devem orientar dois elementos, designadamente o respeito e a submissão às regras e o respeito e aceitação pelas diferenças, soube a equipa de reportagem deste jornal.

Recreio, intensificação de socialização O período do intervalo é, na opinião do professor Juca Majenje, o momento de intensificação do processo de socialização secundária, já que constitui o período em que os alunos acrescem na sua lista de “instrutores” novos instrutores. Trata-se de outros intervenientes do processo de ensino e aprendizagem, tais como o colega, o contínuo, o pessoal da cantina, os seguranças, os vigilantes que, de uma ou de outra forma, adicionam elementos de convivência.

“Estes elementos de convivência adquiridos na escola, com maior intensificação nos recreios, repercutem na convivência social dos alunos, na média em que o que se viverá no futuro por parte dos alunos não é mais do que as regras e as diferenças que, na verdade, é tudo que se precisa para uma sociedade saudável”, pormenorizou a fonte que reforçou o apelo ao respeito às regras e a aceitação das diferenças.

Considerou, igualmente, que, quando bem aproveitado, o recreio serve para os professores orientarem o respeito às regras e às diferenças no espaço de convivência, porquanto representa o espaço onde acontece o “estágio” de tudo que o instrutor, em sala de aula ou em convício de proximidade, orienta aos seus educandos. Finalmente, aconselhou os aqueles que classifica como colegas do sector para não verem o recreio como momento de lazer, no local de trabalho, mas como uma projecção de convívio social.

 

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