Linguistas querem reflexão profunda sobre as línguas maternas

Abreu Paxe avança que os grandes desafios da língua materna passam pela componente política, ligada a políticas voltadas para a protecção das próprias línguas

Linguistas angolanos defenderam, na Sexta-feira, 21, em Luanda, a necessidade de se promover um amplo debate e reflexão em torno do processo de valorização, protecção e divulgação das línguas maternas. Em declarações à ANGOP, no âmbito das comemorações do Dia Internacional da Língua Materna, os especialistas consideram haver razões para que o Executivo promova acções viradas para a maior valorização das línguas maternas como forma de incentivar as novas gerações a olhar para elas de forma apaixonada. Trata-se, de acordo com o chefe de Departamento de Línguas e Literaturas Africanas do Instituto Superior de Ciências da Educação de Luanda (ISCED), Abreu Paxe, de um desafio destinado a levar a sociedade a olhar para a identidade sócio cultural angolana.

Abreu Paxe avança que os grandes desafios da língua materna passam por três eixos: componente política, ligada a políticas voltadas para a protecção das próprias línguas; a investigação (saber o que já se fez, como as universidades estão estruturadas quanto a investigação e a operacionalização) e o terceiro eixo ligado a personalização (formação de quadros nas escolas, materiais e se estão preparados para leccionar as línguas). O especialista frisou que o próprio processo de pesquisa e da operacionalização pode-se aferir com base nos três eixos. Já o docente Salvador Ferreira sublinhou que as línguas maternas estão a perder-se pelo facto de haver pouca transmissão por parte dos familiares e já deficiente implementação no sistema do ensino. Por seu turno, o estudante Wilson Ferreira referiu existir um certo abandono das línguas maternas, razão pela qual devem ser inseridas no sistema do ensino, de forma a preparar as novas gerações.

O mesmo ponto de vista é defendido por Adolfo Pedro, que diz ser importante a introdução em todo o sistema do ensino e em outros sectores. Embora exista uma pluralidade de línguas bantu, adianta que as línguas maternas angolanas devem caracterizar a angolanidade. A língua materna é também conhecida como idioma materno ou nativo, o primeiro idioma na vida de um ser humano, ou seja, a língua mais falada num determinado país.

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