Campo de farra

A educação angolana, a das escolas, está transformada num verdadeiro campo de farras. Mas o pior é que o Estado parece não se importar minimamente. Não se levanta uma discussão nacional séria sobre a qualidade da educação em Angola. Ou seja, não se levanta uma discussão séria e inclusiva sobre o futuro do país. Ou o Estado tem medo de olhar nos olhos do monstro que deixou crescer, ou não se dá conta por estar cada vez mais a ser gerido por filhos do dito monstro, sem qualquer formação ou exigência moral, sem cultura mínima exigível, sem capacidade de indignação, sem receios de estragar o que seja por falta de reconhecimento próprio de insuficiências. Se os alunos sabem que a sua inscrição na escola deveu-se à compra do lugar pelo pai ao director ou ao professor, se sabem que oferecendo dinheiro ou favores sexuais ao professor ganham notas altas na pauta mesmo sem frequentar as aulas, se sabem que o professor não lê em casa, que fala errando ou trocando conceitos, então os alunos ficam a saber que o mérito e o saber de nada valem. Que o importante é a chamada “fezada”. Ouvimos discursos de ministros, de líderes partidários, de responsáveis nacionais de vários sectores e até dos chamados empresários e logo percebemos que as escadas para subir no nosso país exigem mediocridade intelectual e esperteza abjecta noutro tipo de esquemas. Há uns anos alguém se lembrou de publicar uma revista com uma lista das nossas “promessas”, uma espécie de listagem de líderes do futuro. Se não me engano, eram chamados de “geração de ouro”. Conhecia alguns, a grande maioria daquela lista era a incompetência em carne e osso, a burrice esculpida. Mas, bem, usavam bons relógios, tinham nomes de família e eram espertos nos tais esquemas. Provavelmente chegarão a ser líderes, alguns, muito poucos, e terão o toque de Midas ao contrário. Vão destruir muita coisa.

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