Nova “reforma” no ensino primário entra em vigor em 2021

Chamar-se-á Monodocência Assistida e será implementada da 1ª a 6ª classe. Haverá até cinco professores e a inclusão de línguas nacionais e inglesa em cada classe. O SINPROF alerta o Executivo para o fracasso de novos modelos de ensino com base na “imposição”, tal como aconteceu na actual a Reforma Educativa

Na Monodocencia Assistida, o número de displinas aumenta de seis para oito, da 1ª a 4ªclasse, e de nove para onze nas 5ª e 6ª classes, tal como consta na proposta do Ministério da Educação (MED) a que OPAÍS teve acesso. No documento, o MED reconhece que alguns dos objectivos da Reforma Educativa fracassaram, particularmente no que respeita a melhoria da qualidade do processo de ensino-aprendizagem, confirmado em 2014, no Relatório Global que orientou a correcção dos pontos identificados.

A Monodocência Assitida apresenta como inovação a existência de três professores da 1ª a 4ª classe, e cinco para a 5ª e 6ª classes. Nas quatro primeiras classes, um professor, o principal, será responsável pelas disciplinas de Língua Portuguesa, Matemática, Estudo do Meio, Educação Musical, Educação Física e Visual e Plástica.

Os outros dois professores, designados como assistentes, vão repartir as disciplinas de Língua Angolana de origem Africana e a Língua Inglesa. Para a 5ª e 6ª classes, o MED quer implementar cinco professores. Dois principais para as disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática, enquanto três assistentes vão assegurar o ensino de Língua Angolana, Língua Inglesa, História, Geografia, Educação Moral e Cívica e as demais acima referidas.

Projecto piloto com 90 escolas Em 2021, a Monodocencia Assistida será experimentada com uma amostra de cinco escolas por província, sendo uma nas sedes provinciais, duas em sedes municipais diferentes e duas nas zonas rurais, perfazendo 90 escolas em todo o país. A proposta prevê que os professores que não tenham a carga horária exigida pelos normativos a completem noutra escola.

SINPROF considera “paleativo” nova medida

O presidente do Sindicato Nacional dos Professores (SINPROF), guilherme Silva, declarou, a OPAÍS, que as reformas que têm sido implementadas não resultam por não se levar em consideração quem trabalha no terreno, nomeadamente os professores e os sindicatos.

“Os professores e os sindicatos nunca foram ouvidos. Nunca nos quiseram ouvir e hoje estamos nesta situação, ao ponto de a antiga ministra da Educação reconhecer que a reforma meteu a carroça a frente dos bois”, disse o sindicalista. guilherme Silva disse que o seu sindicato é a favor da monodocência apenas nas quatro classes iniciais, tal como era antes da Reforma Educativa e alerta o Executivo que a componente da formação dos professores é a base para o sucesso. Referiu que o SINPROF também visitou e consultou os países de língua portuguesa que Angola cita e em que vai buscar experiências, mas que nestes a monodocência é aplicada apenas nas quatro primeiras classes.

“Em São Tomé, por exemplo, tentaram implentar na 5ª e 6ª. Viram que a qualidade estava a ir ao fundo do posso e recuaram. Mas Angola insiste no mesmo erro”, disse guilherme Silva. Acrescentou que Moçambique aprovou recentemente a sua lei de base que será implementada a partir de 2023 com os professores da 12ª classe. Para o efeito, os docentes terão três anos de preparação. “Nós implementamos programas sem formar quem vai trabalhar neles e nos esquecemos de que ainda temos professores com 6ª, 7ª e 8ª classes”.

Guilherme Silva disse que ainda assim o SINPROF está disposto a dar o seu contributo na nova proposta, mas considera necessário que sejam acolhidas todas ideias e se seleccione as melhores, não importando quem as tenha dado. Importa frisar que na abertura do ano lectivo 2020, que decorreu na província do Bié, a ministra do Estado para Área Social, Carolina Cerqueira, orientou à correcção imedianta dos erros da Reforma Educativa.

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