Recentes mudanças políticas de João Lourenço promovem “romaria” a Angola

A semana finda é apenas uma amostra de como o país se vai tornando apetecível. A vinda do Secretário de Estado da Administração Trump à Angola terá sido a “cereja no topo do bolo” na operação “diplomacia económica” das novas autoridades angolanas

Depois de uma não menos vistosa romaria de visitantes em representação das primeiras economias do mundo, a vinda de Mike Pompeo foi sem dúvidas um “trunfo” para a governação de João Lourenço. Ao que tudo indica, o reiterado discurso de combate à corrupção, concorrido com o esforço ingente de melhoria das condições no que tange a fazer negócios no país, está a funcionar como “toque de caixa”.

Os sinais são mais do que evidentes, Angela Merkel se tinha antecipado à concorrência e deslocou-se pessoalmente a Angola para olho no olho reiterar ao governo angolano que estava disponível a apoiar os esforços da “nova Angola”. Merkel, numa curta estadia, ateou o rastilho conducente a explosão de negócios mutuamente vantajosos entre germânicos e angolanos, anunciando uma confortável linha de crédito.

Durante a sua estada de algumas horas na capital angolana, Angela Merkel teve um encontro de trabalho com o Presidente da República, João Lourenço, participou no Fórum Económico Angola-Alemanha e testemunhou a assinatura de quatro acordos entre os dois países. Muitos especialistas, e tendo em consideração o pragmatismo de que se conhece da Alemanha, estimam que está em vista “um grande negócio”, só assim se explicava a significativa delegação da chanceler alemã, assim com os ecos nos media de sua vinda a solo angolano.

Outras economias fortes do velho continente já tinham sinalizado a sua presença na vasta operação de revitalização de negócios com Angola. Em conjunto a União Europeia, que certamente não quer perder o barco, fez deslocar embaixadores seus a maior província de Angola, tendo aproveitado o solo do Moxico para anunciar o estabelecimento de parcerias e a operacionalização de crédito e financiamentos diversos para o país. Sabe-se que a França está igualmente de olho e só assim se entende que o inquilino do Palácio do Eliseu em Paris esteja já de malas aviadas para uma missão de Estado a Angola. Mal se tinham esfumados os efeitos da vinda de “ilustres visitantes”, Mike Pompeo, o chefe da diplomacia da primeira economia do mundo, aterrava em solo angolano, com tempo mais do que suficiente para encontrar-se com Chefe de Estado no Palácio da colina de São José, com mulheres empreendedoras e com o homológo angolano, Manuel Augusto.

Na sede do Ministério das Relações Exteriores (MIREX), Pompeo disponibilizou-se, ao lado do homólogo angolano, a responder a perguntas da imprensa e ali deixou vincado ao que tinha vindo. Enalteceu os esforços do combate à corrupção, aliás, primeiro factor inibidor de grandes negócios entre as duas partes, não obstante a longevidade do estabelecimento de relações diplomáticas ainda no ano de 1993. Em nome da administração Trump, Pompeo reiterou que o seu Governo via com bons olhos o esforço de fazer do fardo da corrupção “coisa do passado”, como que a dar luz verde para o lançamento de uma ampla operação de estabelecimento de negócios entre as partes. Não deixou de mencionar o “fabuloso” património de activos do Estado agora à disposição de investidores pela via da sua privatização, assim como, para a rica lista de recursos naturais por explorar. Entretanto, como era de esperar, o primeiríssimo sinal de passagem da “teoria à prática” neste novo começo Angola-EUA vai efetivarse no sector predilecto dos americanos, que é o do petróleo e gás, pois Pompeo fez questão de anunciar a disponibilização de uma linha de crédito de dois mil milhões de dólares, montante a ser investido em Angola por várias empresas estadunidenses em projectos.

O visitante americano falou de uma iniciativa do seu país denominada “Nova Cooperação Financeira”, avaliada em USD 60 mil milhões. A iniciativa este ano visa a captação de investimento privado em países, particularmente para sectores como a agricultura e a energia. Grande parte dos USD 60 mil milhões dessa iniciativa destina-se ao continente africano.
Parceiros confirmam optimismo

Agenda de visita de Mike Pompeo a Angola foi marcadamente económica, conclusão a que se pode chegar com a série de acções que marcaram a sua estadia por pouco mais de 24 horas em solo nacional. A ida a uma recepção de negócios promovida pela Câmara do Comércio EUA-Angola, realizada no Museu da Moeda a que compareceram além de parceiros do sector privado, a ministra Vera Daves (Finanças) e José Massano (governador do BNA) é mais do que esclarecedora. Como fez questão de assinalar a presidente da camara em referência, Maria da Cruz, Angola é tãosomente o segundo maior produtor de petróleo da África Subsahariana e um “participe diplomático cada vez mais influente na arena africana global” pelo que tem uma palavra a dizer nas futuras relações a nível planetário. “Este país possui uma área de quase 1,3 milhão de quilómetros quadrados de terra, dos quais 49% são terras aráveis.

Entretanto, menos de 10% é aproveitada”, referiu Maria da Cruz, alertando o enviado de Trump quanto ao potencial reunido neste país. Para o presidente da Câmara dos Estados Unidos da Ámerica em Angola (AmCham), Pedro Godinho, a vinda de “tão ilustre visitante” era um momento há muito esperado e sobretudo pela comunidade de negócios americanos. Godinho considerou que além dos problemas económicos “que resultam da crise financeira que Angola atravessa”, a corrupção é o maior obstáculo à atracção de empresas norte-americanas. Tendo Mike Pompeo dado este sinal positivo quanto as mudanças no país, tinha sido ateado o rastilho para as empresas americanas se estabelecerem em Angola e fazerem negócios com parceiros angolanos sem temer represália das suas autoridades, como era regra até há pouco. Godinho recomenda ainda uma “mudança de mentalidade”, fazendo com que práticas como “gasosa, oferta de percentagens nos negócios” e outros males fiquem “efectivamente enterradas” para recuperar a confiança dos investidores.

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