Desfile competitivo da classe A marcado por mensagens elucidativas e semba à mistura

A luta pela vitória no escalão A do Carnaval de Luanda começou às 17 horas e 30 minutos desta Segunda-feira, ante a presença do Presidente da república, João Lourenço, acompanhado pela Primeira-dama, Ana Dias Lourenço; assim como as do presidente da Assembleia Nacional, Fernando Dias dos Santos, da ministra da Cultura, Maria Piedade Jesus, e de outras entidades. Na Nova Marginal desfilaram 13 grupos

A Nova Marginal de Luanda, na Praia do Bispo, encheu-se de luz, cor, alegria e harmonia transportadas por foliões oriundos de diferentes áreas desta urbe cosmopolita. Curiosamente, o Semba mais uma vez voltou a dominar o desfile competitivo (classe A) na edição 2020 do Carnaval de Luanda, esta Segunda-feira, 72 horas depois da exibição das classes infantil, a 22, e B, de adultos no dia seguinte. Dez das 13 formações apostaram na criatividade e mostraram as suas habilidades em torno da aclamada dança, e confiantes na conquista do título.

Ao contrário da kazukuta, exibida pelo União Kazucuta do Sambizanga e União Kabocomeu, da mesma circunscrição, a cabecinha foi exibida unicamente pelo União Njinga a Mbande, proveniente do município de Viana. Através das vozes, dos instrumentos, dos trajes e das danças, os grupos trouxeram à tona questões muitas vezes intimamente guardadas e expressam a alma popular. Tudo aconteceu precisamente às 17 e 30 minutos, quando o apresentador desta edição anunciava o início do desfile da maior manifestação popular do país.

O som da lendária corneta do União Kiela do Distrito Urbano do Sambizanga, e o refrão kiela saído das arquibancadas prenunciavam a entrada na pista para o desfile central da 42ª Edição do Entrudo. Com a canção “Combatamos a Corrupção”, de Zezinho Noy, interpretada por Patrícia Faria, a formação exibia-se ao som do semba, mostrando criatividade e inspiração. Com a mesma força anímica entrou na pista o União 10 de Dezembro, vindo da Maianga com a canção “Não a Caça Furtiva”, cantada pelo músico e compositor Calabeto e que apelava para a preservação do meio ambiente. Os 25 minutos cronometrados pela Comissão organizadora do Entrudo não foram capazes de reter a carga energética que o grupo transportava para a pista.

Reacção idêntica foi do União Jovens da Cacimba, também da Maianga, que sob o comando de Carlos Andrade, com o semba a deslizar homenagearam o kuduro. Uma canção de consagração à música angolana, da autoria de José Andrade. Da Maianga para o Rangel, para a Nova Marginal, o União Recreativo Kilamba não se fez esperar e entrou em cena poucos minutos depois.

A formação fundada a 27 de Julho de 2015 foi comandada por Poly da Rocha e levou para o desfile competitivo um semba interpretado por Don Caetano. A música com o título “Marçal Ancestral” homenageava os ancestrais e apelava para os bons costumes. O desfile prosseguiu com outros grupos como o União Mundo da Ilha, o Amazonas do Prenda, o União Café de Angola, o União Njinga a Mbande e o União 54.

Pontos de vista Quem também não se fez esperar foi o governador provincial de Luanda, Sérgio Luther Rescova. Ao dirigir-se aos munícipes, destacou na sua mensagem que o Entrudo é um espaço de diálogo feito através das vozes, dos instrumentos, dos trajes e das danças que trazem à tona questões muitas vezes intimamente guardadas e expressam a alma popular, aplaudindo o que está bem e sublinhando o que está mal. Salientou que “o Carnaval, que reputamos como evento mais reconhecível da nossa urbe no plano cultural, tem o sabor interminável da maresia do Atlântico e das brumas na foz do Cuanza e do Dande”, pelo que, com a exuberância que lhe é dada pelas danças, colorido dos trajes, o gingar dos foliões, o ritmo da percussão e beleza das canções, é uma celebração vibrante amada por todos.

O governador realçou que tal desiderato, pode e deve ser capitalizado em favor do desenvolvimento cultural e da economia local, sobretudo quando falam os de redução da pobreza e diversificação da economia. Já a ministra da Cultura, Maria da Piedade Jesus, destacou no seu editorial sobre o Carnaval que em 2019 foram realizados vários encontros, cujos conteúdos centraram-se, essencialmente, na transformação dos grupos em associações. Apelou ao contributo da sociedade civil no sentido de se alcançar o referido propósito, para um Carnaval mais dinâmico e envolvente, de modo a evitar o distanciamento entre os grupos carnavalescos e os munícipes, bem como garantir a autossustentabilidade dos agrupamentos.

No caso da presente edição, considerou que as festividades carnavalescas deverão ter uma atenção especial às celebrações do 45º aniversário da Independência Nacional e do III Festival Nacional de Cultura (FENACULT), evento de dimensão cultural importante e que mobiliza delegações artísticas e culturais de todo o país.

Desfilaram nesta 42ª edição do Entrudo, os grupos, União Kiela, o União 10 de Dezembro, o União Jovens da Cacimba, o União Recreativo do Kilamba, o União 17 de Setembro, o União Operário Kabocomeu, o União Kazukuta do Sambizanga e o União Domant. Completam a lista competitiva desta classe o União Mundo da Ilha, o Amazonas do Prenda, o União Café de Angola, o União Njinga a Mbande e o União 54. Recorde-se que o título nesta categoria está em posse do União Recreativo do Kilamba.

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