Induve produz 60 mil toneladas de farinha de milho e ração animal em 2019

A Indústria Angolana de Óleos Vegetais (Induve) processou durante o ano de 2019 um total de 60 mil toneladas de farinha de milho e ração animal, representando uma quebra de 20 % na sua produção, motivada pela não disponibilização atempada das divisas para a importação da matéria-prima

Em média essa unidade fabril, localizada na zona Industrial da Mulemba, município de Cacuaco, em Luanda, processa, anualmente, 80 mil toneladas de farinha de milho e ração animal. Para a importação da matériaprima, a empresa tem necessidade da abertura de cartas de crédito, mas ainda assim a disponibilização do valor em Kwanzas e a variação cambial tem causado grandes prejuízos na actividade industrial da Induve. Em entrevista à agência Angop, o administrador financeiro da Induve, Kidy Aragão, referiu que de acordo com as regras do Banco Nacional de Angola (BNA) qualquer valor importado acima de 100 mil dólares, embora esses números hoje são alterados, tem que ser com cartas de crédito e estas são liquidadas a sua maturidade num prazo de 60, 90 ou 120 dias.

“Eu abro uma carta de crédito e tenho o valor em Kwanzas, faço a minha folha de cálculo de acordo com a expectativa que é aquele valor que deveria na altura da importação que é em Kwanzas e começo a fazer a venda neste período, mas, na verdade, quando chega o período do pagamento há precisamente a variação cambial que geralmente é negativa, causando prejuízo à nossa actividade”, lamentou.

Apesar desse constrangimento, a administração da empresa tem ambições em expandir as suas linhas de produção, uma vez que a indústria abastece quase 60 a 70 por cento do mercado nacional com farinha de milho, atingindo toda a cadeia de produção de produtos da cesta básica, principalmente os cereais. Conhecida desde a sua inauguração (1957) como grande produtora de sabão em barra e óleo alimentar, a Induve deixou, a partir de 2003, de produzir esses bens, porque já não eram competitivos em relação aos importados. “Como é sabido, um dos principais componentes da produção do sabão como matéria-prima é precisamente a gordura do óleo vegetal. E não produzindo óleo vegetal fica-nos também difícil a produção do sabão em barra”, explicou.

Acrescentou que está em carteira o investimento na produção da farinha de trigo, a massa alimentar e também vai investir na produção do óleo alimentar e sabão em barra, que será a última fase, porque hoje não é competitivo nem atractivo investir neste período que o mercado internacional não dá grandes margens de manobra. A Induve é uma empresa fundada em 1957, com mais de 60 anos no mercado nacional e vocacionada na produção de óleo vegetal e sabão em barra. Com o processo de reestruturação do sector empresarial a empresa foi privatizada em 2003 e passou a incluir na sua linha de produção a farinha de milho amarela e ração animal. A matéria-prima sempre teve como fonte o mercado externo por insuficiência do mercado interno.

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