Administrador do Luau preocupado com o contrabando do combustível para a RDC

Cidadãos angolanos ávidos de lucro fácil, tentam transpor o rio Kassai flutuando em cima de tambores e outros recipientes com combustíveis que lhes servem de bóias

POR: Ireneu Mujoco, enviado ao Luau (Moxico)

O administrador municipal do Luau, província do Moxico, Vasco Chimo Cassuié, disse que a circunscrição que dirige tem estado a registar alguns crimes de contrabando de combustível para a vizinha República Democrático do Congo (RDC), mas de pouca monta. Em entrevista concedida recentemente à imprensa, no Luau, o administrador informou que, apesar de poucos casos registados, a situação não deixa de ser  preocupante, na medida em que se trata de crime. Disse que devido à proximidade geográfica entre as duas fronteiras, a do Luau (Angola) e a do município do Dílolo com a província de Katanga (RDC), separados por 12 quilómetros, na calada da noite, cidadãos angolanos ávidos de lucro fácil, tentam transpor o rio Kassai flutuando em cima de tambores e outros recipientes com combustíveis que lhes servem de bóias.

Vasco Cassuié avançou que a maior parte destas aventuras, que, em alguns casos terminam em mortes por afogamento, devido à corrente do rio Kassai, têm sido abortadas pela Polícia de Guarda Fronteira(PGF). Os últimos casos foram registados em finais do ano passado, em que morreram alguns cidadãos que tentaram atravessar a nado, e, de lá para cá, não ocorreram novos crimes desta natureza. O responsável explicou que, apesar desta calmia, as autoridades competentes do município do Luau, designadamente o Serviço de Migração Estrangeiros (SME), a Polícia de Guarda Fronteira (PGF), e o Serviço de Investigação Criminal (SIC) têm desencorajado os cidadãos desta prática. Sem avançar estatísticas, o administrador informou que, além de cidadãos angolanos, os da República Democrática do Congo (RDC) que residem no lado angolano também se envolvem nestas aventuras, tentando escapar-se do controlo das autoridades.

Violação de fronteira

Aos jornalistas, Vasco Cussié manifestou igualmente preocupação no que concerne à violação de fronteira por parte de cidadãos da RDC que tentam entrar em Angola de forma clandestina. Reforçou que tem sido recorrente a entrada ilegal de cidadãos congoleses no território angolano, nesta região, mas a situação tem sido resolvida com o repatriamento dos que o fazem sem a observância das normas estabelecidas por lei.

O administrador disse também haver cidadãos angolanos que são repatriados pelas autoridades do país vizinho, por violação de fonteira, embora sejam poucos casos. “É mais àquelas que têm a ver com casos familiares em que alguns atravessam para visitar familiares e acabam por exceder os dias autorizados”, disse. As declarações do administrador municipal do Luau cruzam com as de um militar destacado no posto fronteiro, que resumiu que os congoleses têm Angola como o país para solucionar os problemas que não podem no seu país. “Esta é a razão que faz com que quase todos os dias tentam ou mesmo entram aqui no nosso território, mas depois são repatriados”, disse, para quem a situação social e económica que se vive na RDC obriga-lhes a “ tentar a sempre”. Há mais de 10 anos nesta fronteira, contou a OPAÍS que há cidadãos que já foram repatriados mais de cinco vezes, mas não desistem, em busca de, “possivelmente de melhores condições de vida aqui”.

Trocas comerciais

Apesar deste relato, as pequenas trocas comerciais, ainda tímidas, entre os dois povos, correm sem sobressaltos, embora precisem de mais incentivo para a arrecadação de mais receitas. Elas consistem em produtos alimentares como bombó, amendoim e milho (RDC), enquanto que os angolanos fornecem bens industriais como óleo alimentar, leite, sal e bebidas alcoólicas. Os combustíveis (gasóleo e gasolina) e lubrificantes são outros produtos que os povos vizinhos da RDC compram em Angola. Refira-se que a província do Moxico tem 330 quilómetros de fronteira terrestre e fluvial com a RDC, onde estão criadas 11 postos de saída e entrada de pessoas e bens.

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