Desafios da comunicação institucional no contexto angolano

POR: Amadeu Cassinda

A comunicação institucional pública tem, a meu ver, dois grandes desafios que merecem de um tratamento prioritário. Primeiro, influenciar os gestores à tomada de consciência da importância e necessidade do parecer técnico deste órgão sobre as suas actividades. Segundo, a valorização e aposta no capital humano para melhoria da imagem de determinadas instituições do Estado na sequência da construção de uma boa reputação junto do povo angolano e da comunidade internacional. Isto é, o Estado adquire a legitimidade do exercício do poder político e da soberania sobre o povo através do processo eleitoral mediante a um programa de governação apresentado aos votantes, sendo este a base do escrutínio de toda acção governativa. Por esse motivo, é coerente que o Estado no exercício do poder político se pronuncie em relação a assuntos de interesse público junto de quem o elegeu. A necessidade de um parecer técnico do GCII de uma dada instituição pública sobre os discursos ou pronunciamento de um dirigente para qualquer contexto pode evitar determinados danos à imagem do dirigente ou da instituição perante a sociedade. Se por um lado as conferências de imprensa, os comunicados, bem como as entrevistas e demais formatos pelos quais o Executivo tem informado o público regularmente, resultam deste propósito; por outro, o Estado tem vindo a dar sinais de indiferença ao dever de informar, quando parece privilegiar o público externo, prestando-lhe nalgumas vezes, em primeira mão, informação de elevado interesse nacional, relegando para o segundo plano a imprensa local e, consequentemente, o povo de quem recebeu a legitimidade para o exercício do poder. A recuperação de mais de cinco mil milhões de dólares americanos em activos, domiciliados em Angola e no exterior, em 2019, no âmbito do combate à corrupção, anunciada durante a 8ª Conferência dos Estados Parte da Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção, em Abu Dhabi; bem como os demais actos de comunicação que privilegiam a imprensa externa em detrimento da local no pronunciamento de questões ligadas ao combate à corrupção e demais desafios plasmados no programa de governação que vai até 2022, manifestam-se como emissores dos aludidos sinais aparentemente insignificantes. É deselegante quando a imprensa local passa uma matéria sobre Angola, citando encarecidamente um órgão estrangeiro como fonte, dando conta de pronunciamentos de dirigentes angolanos durante viagens oficiais. Quando, em sede determinados formatos de comunicação institucional, se poderia comunicar à imprensa local sobre as suas respectivas agendas. À semelhança do que a secretária para os assuntos de comunicação institucional e de imprensa da presidência tem feito, na véspera das visitas do Presidente a determinadas localidades, pese embora tenha sido numa comunicação unidireccional. A valorização do capital humano, sobretudo o local, é a alavanca para a mudança estrutural da comunicação institucional pública com efeitos multiplicadores no funcionário e, concomitantemente na imagem do nosso país. Neste capítulo, o Ministério da Comunicação Social parece estar focado ao referir-se, durante o seu 14º Conselho Consultivo, na necessidade da capacitação e valorização dos recursos humanos, bem como no ajustamento do pessoal do ministério mediante a “promoção dos técnicos e a abertura de concursos públicos de provimento de vagas, visando um melhor aproveitamento dos recursos humanos e da ocupação das vagas existentes com quadros capazes”, (JA de 14/02, p.3). Vencidos estes desafios, as condições estariam devidamente preparadas para proceder à acções de definição, implementação e monitorização de políticas de comunicação pública integrada, que visam propiciar maior qualidade e efi ciência no processo de prestar informação de utilidade pública para os cidadãos e demais partes interessadas. De outra sorte, é difícil prever a exequibilidade e eficiência das políticas de comunicação integrada sem o elevado recurso à terceirização de determinadas tarefas que em circunstâncias normais deviam ser executadas pelas respectivas instituições.

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