Há que inventar novas lideranças

É triste ver como sucessivos governos africanos vão falhando nas suas ideias de desenvolver os seus países. Mas pode-se constactar também que o problema está na ideia de poder que os africanos têm, que passa sempre pelo isolamento próprio, apartamento dos outros e pela necessidade da afirmação do poder, mais do que da partilha e da sua utilização para o bem. O exercício do poder em África, infelizmente, porque é tendencialmente longevo, não permite a sucessão de ideias criativas e o seu devido debate, não permite sequer que haja ideias, cria muros, muitas vezes formado por um batalhão de conselheiros estrangeiros que, claramente, não querem o desenvolvimento do país. Os líderes africanos têm medo do sucesso dos africanos, quando o deviam incentivar e apoiar. Neste momento, África, depois das suas independências, deveria estar a viver a sua revolução industrial, ao mesmo tempo que a digital ou tecnológica. Seis dezenas ou mais de anos, com a paixão com que gerações se entregaram às causas da liberdade e do panafricanismo, deveriam ter gerado quadros e empreendedores suficientes para dar um novo rosto ao continente. Não é isto o que acontece, porque para os políticos africanos, antes do desenvolvimento está o projecto do poder, mais ainda o da manutenção e sedimentação do poder. E temos o continente mais atrasado, o mais jovem, e que está sempre prestes a rebentar. Há que inventar novas lideranças.

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