Pequenas indústrias e empresas retomam a actividade na China

Com sinais crescentes de que o surto do Covid-19 está a ser domado, o foco agora está nos amplos esforços para estabilizar a economia chinesa, disseram observadores de mercado, destacando o debate sobre o equilíbrio entre os controlos epidémicos e o reinício da actividade económica naquele país asiático

Segundo o jornal Lu Yanan/Diário do Povo, as novas infecções confirmadas fora da província de Hubei, centro da China, o epicentro da nova pneumonia causada pelo coronavírus, caíram pelo 13º dia consecutivo no Domingo (16), de acordo com números divulgados pela Comissão Nacional de Saúde na Segunda-feira (17).

O mesmo constatou que o número diário de pacientes a receber alta de hospitais em Hubei pela primeira vez foi superior a 1.000 no Domingo. Juntamente com a redução do medo do vírus, vêm pedir medidas para relançar a economia afectada pelo vírus. Ao nível micro, as indústrias e as empresas não pouparam esforços para restabelecer a actividade. Um exemplo notável é Haidilao, uma das mais populares cadeias hotpot do país, que anunciou que tanto as suas lojas físicas como serviços de entrega de refeições retomaram as operações. Ainda assim, os analistas pedem que seja dada a devida atenção aos esforços controversos pró-crescimento.

O chefe de renda fixa no Instituto de Pesquisa de Great Wall Securities, Wu Jinduo, realçou ao Global Times, na Segunda- feira 24, que além de Hubei, as 30 regiões de nível provincial do país, todas se organizaram para que as empresas retomassem o trabalho e a produção. Chen Da, um oficial da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, disse a 9 de Fevereiro, numa conferência de imprensa do mecanismo conjunto de prevenção e controlo do Conselho de Estado. “Eu acredito que o imprescindível não é [o empurrão para] estimular a economia, mas para colocar a economia de volta ao seu caminho de uma forma ordenada”, disse. Segundo ele, o mecanismo conjunto de prevenção e controlotambém apresentou uma notificação no início deste mês, solicitando esforços acrescidos para prevenir e conter, cientificamente, o vírus, ao mesmo tempo que realiza o bom manejo da retomada do trabalho e da produção.

“As regiões fora de Hubei que têm grandes populações, mas foram menos atingidas pela doença, têm uma responsabilidade inabalável pelo reinício ordenado do trabalho e da produção”, explica. Na sua opinião, não é fácil lidar com o equilíbrio entre os controlos epidêmicos e o reinício do trabalho ao lado dos governos e das empresas locais, especialmente as últimas, que estão sob grande pressão para estarem atentas a potenciais falhas na operação de relançamento. Disse ainda que alguns governos e empresas locais parecem ter ido longe demais em colocar a prevenção do vírus no top do impulso para reiniciar a actividade, Wu ressaltou, pedindo que as autoridades competentes sejam responsabilizadas pelo formalismo que pesa sobre a revitalização da economia. Outro ponto de discórdia são as expectativas sobre mais apoio fiscal e abrandamento monetário que estimularam as preocupações sobre o aumento da alavancagem e os seus efeitos sobre o mercado imobiliário.

Por outro lado, o Banco Popular da China, o banco central do país, reduziu a taxa de juros de um ano de empréstimo de médio prazo (MLF) no valor de 200 biliões de yuans (USD 28,65 biliões) por dez pontos de base para 3,15 por cento. Aguardando uma redução de dez pontos de base na taxa primária de empréstimo de referência ao virar da esquina, Lu Zhengwei, economista chefe do Banco Industrial, em Shanghai, afirmou que, embora algumas regiões tenham anunciado planos para permitir pagamentos atrasados para transferências de terra, os preços de propriedade ainda devem ser mantidos. Para Wu Jinduo os sinais de flexibilização da propriedade em algumas áreas podem ser apenas uma jogada conveniente para responder à pressão descendente sobre as economias locais em meio ao surto do vírus.-

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