Adolescente de 13 anos mata amigo de 18 à facada em Benguela

No final da tarde de Domingo, um adolescente de apenas 13 anos de idade desferiu dois golpes de faca contra o amigo, de 18 anos, depois de se terem desentendido. Este é um dos 2 homicídios voluntários registados pela Polícia Nacional em Benguela ao longo do fim-de-semana prolongado de Carnaval

O bairro 4 de Abril é apontado pelos populares como uma das zonas mais perigosas do município de Benguela, devido à frequência com que sucedem crimes, inclusive violentos. Exemplo disso é o homicídio ocorrido no mercado com o mesmo nome do bairro, no dia 23, às 18 horas, quando Domingos Tchiloya, de 13 anos, esfaqueou Simão Bundi, de 18, na região do braço e tórax, tendo provocado a morte deste último. Na base da acção violenta esteve um conflito com o amigo perecido e, de acordo com a Polícia Nacional em Benguela, o adolescente foi detido após denúncias dos populares e apresentado ao S.I.C. Domingos Tchiloya ficará sob a alçada do Julgado de Menores.

Lamentando o sucedido, o inspector-chefe Filipe Cachota, porta-voz da Polícia Nacional em Benguela, declarou, ontem, que “o menor é inimputável, não responde criminalmente, em razão da sua menoridade”. No processo de reeducação social, o adolescente de 13 anos deverá receber acompanhamento psicológico num centro de menores capacitado para o efeito, dentre outras metodologias terapêuticas a aplicar pelo Julgado de Menores.

A avaliação psicológica é primordial, defende psicólogo

Tendo sido ontem apresentado ao Ministério Público, o destino de Domingos Tchiloya depende da avaliação do Julgado de Menores, baseando-se em factores psicológicos que motivaram tal violência e o grau de arrependimento, dentre outros.

O porta-voz Cachota informou que, por norma, há centros locais para os quais as crianças podem ser encaminhadas, visando receberem a atenção necessária para que tenham um futuro longe da delinquência. Todavia, por se tratar de um crime extremamente grave e violento, poderá ser plausível considerar-se o centro do Huambo, pois que “está melhor capacitado para a reabilitação” de crianças e adolescentes nestas circunstâncias.

O psicólogo clínico João Caratão defende ser primordial saber-se os antecedentes da criança, pois que, o facto de a faca usada pertencer-lhe, não certifica que o miúdo seja clara e efectivamente violento. Até porque, sabendo de antemão que Domingos Tchiloya reside num dos, se não o bairro mais perigoso do município, andar com uma faca no bolso pode significar medo de ser atacado.

Este mecanismo de defesa é ilícito, contudo, não é propriamente novidade em Benguela, porque, com o aumento da criminalidade e sentido de insegurança, tende a aumentar o número de adolescentes munidos de armas brancas. É imprescindível obter-se o histórico da infância de Domingos, saber se sofreu abusos, se testemunhou violências, se já cometeu actos violentos contra familiares ou animais, porque, tudo isso permitirá determinar o seu estado psicológico.

Quanto ao número de facadas, por terem sido duas, considerando-se como factor isolado, não determina o estado mental do adolescente, nem a sua motivação, pois que, poderá dever-se à impulsividade associada à idade. Podendo ser um acto “de raiva ou de defesa, mais facilmente um adolescente tem esse tipo de comportamento do que um adulto,” analisou o psicólogo João Caratão. E, a acção precipitada deve-se ao desconhecimento, “por não ter noção das consequências dos seus actos, sejam consequências físicas para o outro, como consequências para a vida dele”, ponderou.

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