Barragens do Médio Kuanza atingem pico de armazenamento e descarregam águas a jusante

as regulares e abundantes chuvas que se registam um pouco por todo o país, para além de representarem uma boa notícia para a produção agrícola é igualmente um transtorno de difíceis transtornos. Nesta altura, o principal mercado informal da velha cidade do dondo está parcialmente inundado e o fenómeno pode ocorrer até Maio

Os três Aproveitamentos Hidroeléctricos erguidos no Médio Kuanza registam quota máxima de armazenamento de água nas suas albufeiras pelo que até Maio ocorrerão inundações a jusante, segundo uma fonte familiarizada com o fenómeno. “Não temos muito a fazer, senão mesmo nada. É obra da natureza e nós é que temos que nos ajustar a ela”, disse uma fonte em Laúca que vaticina a continuidade de inundações no Baixo Kuanza, tudo porque com a barragem de Capanda (reguladora do sistema) no máximo da sua capacidade de armazenamento nada resta senão defluir os recursos hídricos excedentes.

Enquanto isso, o principal mercado da cidade do Dondo, município de Cambambe (Cuanza Norte), encontra-se submerso, devido à inundação na madrugada da última Terça-feira, como consequência do transbordo das águas do rio Kwanza, resultante da abertura das comportas da barragem hidroeléctrica de Cambambe, para reduzir a pressão sobre a albufeira, apurou a Angop na localidade. Segundo a Agência noticiosa nacional, o processo de abertura das comportas da barragem de Cambambe iniciou em Janeiro último, face ao excesso de água que se regista actualmente no reservatório do referido complexo hidroeléctrico que conta com uma albufeira de seis quilómetros quadrados e uma cota de 130 metros de altitude.

Em consequência do transbordo das águas do rio, os depósitos dos produtos do mercado informal da urbe ficaram submersos, afectando fundamentalmente bens perecíveis, a par de terem sido desalojados mais de mil e 500 vendedores do referido mercado, que tiveram de procurar alternativa para venda em recintos adjacentes ao espaço afectado. Com os níveis actuais, são também esperadas inundações na comuna de Massangano, situação que tem afectado fundamentalmente as aldeias ribeirinhas ao rio Kwanza.

As previsões apontam que inundações ocorram nas zonas ribeirinhas ao maior rio de Angola na província de Luanda, prevendo-se desde logo altos prejuízos nas plantações das comunidades. Entretanto, uma fonte junto do complexo Hidroeléctrico de Cambambe esclareceu que o processo de descarga da albufeira da barragem será contínuo, numa altura em que está previsto serem libertadas mais quantidades de água nas próximas horas. Construída no médio Kwanza, a barragem de Cambambe está situada no município com o mesmo nome, na província do Cuanza Norte, a mesma entrou em actividade comercial em 1963 e beneficiou de obras de modernização em 2009, que permitiram a construção de uma nova central e elevar a capacidade de geração de energia eléctrica, de 180 para 960 megawatts, tornando-se no segundo maior centro produtor de electricidade do país.

O engenheiro Elias Estevão, director do AH Laúca, lamenta quanto a eventuais transtornos que a descarga das águas das albufeiras venham a causar no Baixo Kuanza, mas por outro lado, sinaliza o fenómeno de chuvas abundantes como “boa notícia para a geração da electricidade” no sistema Norte, o sustentáculo principal da energização do país. “Neste momento, Laúca está na cota 130 m de altura que é o nosso máximo. Isso só ocorre quando a albufeira reguladora do sistema que é Capanda atinge igualmente o seu máximo.

E quando nós descarregamos para Cambambe naturalmente a última barragem deflui para o Baixo Kuanza”, esclareceu. Na sequência destes recursos hídricos abundantes e porque os trabalhos decorrem sem sobressaltos, Elias Estevão anuncia a entrada em funcionamento da sexta máquina de Laúca para o próximo mês de Junho, enquanto as máquinas geradoras da central ecológica começam a produzir electricidade em Outubro, completando-se assim o ciclo previsto de geração de 1 670 MW, elevando Laúca ao todo entre todas as barragens do país.

leave a reply