Padre assegura que mensagem da Quaresma vai além dos católicos

O padre Valeriano Kanjila garantiu a OPAÍS que a carga de mensagens e o espírito que o tempo quaresmal acarreta a atinge todas as sensibilidades, independente das resistências verbais e de atitudes teoricamente vistosas.

“É um erro pensar que a Quaresma e o sentido de reconhecimento dos pecados, conversão e mudança de vida se deve refletir apenas na vida dos católicos, porque, se repararmos, todos nós pecamos, precisamos de nos converter e mudar de vida, ou seja, prepararmo-nos para a Páscoa da ressurreição de Jesus Cristo”, salientou o sacerdote, tendo acrescentado que isso, por si só, moralizava de forma directa ou indirecta as pessoas a observarem o tempo.

O prelado, que considera ser o período exacto para recolhimento espiritual, atentando no silêncio, na oração e no jejum, assegurou que, do ponto de vista do tempo físico, a envolvência directa é ainda mais notória, pelo facto de o tempo quaresmal ser introduzido com a Quarta-feira de Cinzas, por sinal o dia que se segue às cerimónias do carnaval. Por causa disso, Valeriano Kanjila recomenda aos cristãos e não cristãos a pautarem-se por uma conduta de cedência, como ousou chamar, ao invés de procurarem argumentos contra um ambiente religioso puramente natural à natureza humana.

Questionado se o seu apelo não atenta contra a liberdade e o direito religioso dos não católicos, o clérigo ponderou a questão, asseverando que estava a chamar a atenção das pessoas para fazerem o uso conveniente da liberdade e do direito que lhes foi concedido por Deus, seguindo-lhe o apelo à conversão e à mudança de vida. Com intenção de explicar a essência da Quaresma, recordou que até o próprio Jesus Cristo, a certa altura da sua vida, decidiu parar e remeter-se a um ambiente de oração e jejum, para, em seguida, dizer que os quarenta dias desse recolhimento deram nome ao referido tempo religioso.

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