Simões Pereira pede acompanhamento da Guiné-Bissau

O Presidente da República, João Lourenço, recebeu, ontem (Quartafeira), em Luanda, o candidato derrotado nas eleições presidenciais da Guiné- Bissau, Domingos Simões Pereira, que solicitou de Angola o “permanente acompanhamento” do seu país

O Chefe de Estado angolano já felicitou o Presidente- eleito da Guiné- Bissau, Umaro El Mokhtar Sissoco Embaló, pela sua eleição ao cargo, a 29 de Dezembro último. À saída da audiência, o também presidente do Partido Africano para a Independência da Guiné-Bissau e Cabo Verde (PAIGC) declarou à imprensa esperar de Angola um contínuo acompanhamento do seu país, face à tentativa de manipulação dos resultados eleitorais.

A Comissão Nacional de Eleições (CNE) da Guiné-Bissau anunciou, a 17 de Janeiro, a vitória de Umaro Sissoco Embaló, do MADEM-G15, como novo Presidente eleito da Guiné-Bissau, mesmo depois da candidatura de Simões Pereira ter interposto recurso ao Supremo Tribunal de Justiça a contestar os resultados e a pedir recontagem dos votos. Para o candidato do PAIGC, a tentativa de Umaro Sissoco Embaló de tomar posse na Quinta-feira, antes da solução do litígio, demonstra desrespeito às leis, aos órgãos de soberania e à ordem internacional.

Considerou que os dados divulgados pela CNE não têm fundamentação por só reflectirem as actas de duas das dez regiões administrativas do país, quando a lei exige que as urnas sejam conservadas durante um ano. Simões Pereira acusou a CNE de desrespeitar a determinação do Supremo Tribunal de Justiça e exigiu a repetição da segunda volta das eleições presidenciais. Segundo o antigo primeiro-ministro da Guiné-Bissau, a recontagem devia acontecer 48 horas depois do pleito eleitoral, mas já passam 60 dias, por falta da acta nacional. Ingerência de países vizinhos Na óptica do político guineense, alguns países vizinhos procuram manipular os resultados eleitorais, para colocar no poder pessoas dóceis aos seus interesses. A título de exemplo, disse que o vizinho Senegal anunciou a realização de leilões de poços petrolíferos, incluindo de plataformas que estão em território guineense. O político guineense admitiu, igualmente, a existência de interesses fundamentados em factores de natureza étnica e tribal.

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