Parlamentares da UNITA “escalam” OPAíS

A delegação tem vindo a auscultar as preocupações da classe jornalística angolana que, de uma forma geral, prendem-se com a falta de subsídios aos órgãos privados, abertura das fontes parlamentares, apoio aos media, formação de quadros e dificuldades no mercado publicitário que os médias enfrentam para sobreviverem neste período de crise

No âmbito da visita que tem vindo a fazer aos órgãos de comunicação social públicos e privados, o Grupo Parlamentar da UNITA escalou, ontem, o jornal OPAÍS, para se inteirar do funcionamento deste órgão privado pertencente ao grupo Media Nova. Depois de ter passado pela Rádio Mais, a delegação parlamentar auscultou as preocupações da classe jornalística angolana que, de uma forma geral, prendem-se com a falta de subsídios aos órgãos privados (no preço do papel, por exemplo), abertura das fontes de informação, apoio aos médias na formação de quadros e dificuldades do mercado (publicitário) que os media enfrentam para sobreviver no actual contexto de crise financeira.

O presidente do Grupo Parlamentar da UNITA, Liberty Chiaca, que encabeçou a delegação, disse que a visita se enquadra no âmbito da aproximação dos parlamentares do partido com os media. Segundo o deputado, a escolha do jornal OPAÍS, como um dos órgãos a visitar, deveu-se ao seu diferencial no mercado pelo trabalho jornalístico responsável, isento e sério que desempenha. “Neste sentido, houve a necessidade de conhecer de perto o funcionamento deste importante órgão de comunicação social angolano que tem na sua base profissionais jovens”.

De acordo com Liberty Chiaca, é do interesse do seu partido que os órgãos de comunicação social tenham força e disponham de profissionais com sentido de prestação de serviço público, para ajudar na identificação dos problemas para quem de direito dar a devida resposta. Segundo o político, algumas inquietações ouvidas ao longo do périplo de visitas que a sua delegação vem efectuando, desde o princípio desta semana, serão encaminhadas ao Ministério da Comunicação Social e à Comissão de Especialidade da Assembleia Nacional, para que sejam atendidas. Liberty Chiaca destacou que uma dessas questões tem a ver com o tratamento desigual que é dado aos órgãos públicos e privados na Assembleia Nacional durante as coberturas dos debates parlamentares, o que não abona o processo democrático.

No entanto, nesta fase em que o país se prepara para a realização das suas primeiras eleições autárquicas e depois as gerais, o político disse que seria de todo interesse que a imprensa merecesse um tratamento de respeito e liberdade por parte dos órgãos do Estado. Nestes sentido, o presidente do Grupo Parlamentar da UNITA prometeu uma maior abertura e colaboração entre os seus deputados e a comunicação social, para facilitar a divulgação de matérias de interesse público. Já o deputado Lukamba Gato manifestou-se preocupado com as condições de trabalho de alguns órgãos, sobretudo públicos, que em nada contribuem para o pleno exercício jornalístico.

Por outro lado, disse ser inaceitável que, depois de muitos anos, ainda continue a haver, por parte dos órgãos do Estado, uma certa discriminação entre os órgãos públicos e privados de comunicação social. Para o deputado, os media são factores decisivos para a consolidação do processo democrático, tornando dispensável o tratamento discriminatório aos órgãos. Segundo ainda Lukamba Gato, sem um apoio real e prático do Estado aos órgãos de comunicação social, fica difícil o aprofundamento da democracia.

Desafios de OPAÍS

Por seu lado, José Kaliengue, director do jornal OPAÍS, fez saber que o contexto político actual exige mais contacto entre os parlamentares e os jornalistas, defendendo a necessidade de uma maior diminuição da designada disciplina partidária. Segundo José Kaliengue, há a necessidade de uma maior abertura entre os deputados e a comunicação social, sobretudo nesta fase em que o país está a preparar-se para as primeiras eleições autárquicas. Por outro lado, José Kaliengue falou também do actual momento que o jornal OPAÍS está a viver, que é a transição do formato físico ao digital por força da dificuldade de aquisição de papel e em obediência às novas tecnologias de informação que exigem um maior dinamismo e actualização permanente da informação.

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