Bento Kangamba detido por crime de Burla por Defraudação

A PGR diz, em comunicado, que o general na reforma tentava fugir para a Namíbia quando foi detido. O mandado de detenção, assinado pelo sub-procurador-geral da República Vanderley Bento Mateus, diz que Kangamba é arguido num processo-crime por Burla por Defraudação

O general Bento dos Santos “Kangamba” foi hoje detido na província do Cunene, na localidade de Xangongo.

Segundo nota oficial da Procuradoria Geral da República (PGR), a detenção decorreu no âmbito do processo-crime registado na Direcção Nacional de Investigação e Acção Penal (DNIAP), sob o número 56/19.

“Foi detido, hoje, o arguido Bento dos Santos “Kangamba”, Tenente General das FAA (Forças Armadas Angolanas) na reforma, por indícios da prática de crime de Burla por Defraudação, previsto e punível ao abrigo das disposições combinadas dos art.ºs 451.º, n.ºs 1,2 e 3 e 412.º n-º 5, ambos do Código Penal”.

O mandado de detenção foi executado na província do Cunene, “quando o mesmo (Bento Kangamba) tentava a fuga para a vizinha República da Namíbia.

No acto de detenção, segundo a PGR, foram apreendidos uma pistola e valores em Kwanzas e em Rands ainda por contabilizar.

Tanto o comunicado da PRG quanto o mandado de detenção, assinado pelo sub-procurador-geral da República Vanderley Bento Mateus têm a data de 29 de Fevereiro de 2020.

 

Arrestos por USD 15 milhões em Outubro

Na sua edição de 30 de Outubro do ano passado, OPAÍS havia publicado uma notícia com o título “Kangamba “Perde” bens por dívida de cerca de USD 15 milhões”.

O processo número 68/18-F (diferente do que determinou agora a detenção de Bento Kangamba, o 56/19) que corre os seus trâmites na 2ª Secção da Sala do Cível e Administrativo do Tribunal Provincial de Luanda, resultara no arresto de bens móveis e imóveis de bento Kangamba, por incumprimento dos prazos previamente acordados para pagamento de dívidas, foi movido pelos cidadãos Teresa Gerardin e Bruno Gerardin, autores da acção judicial.

Por presumivelmente verem-se prejudicados, ambos decidiram recorrer à justiça, requerendo alguns dos bens do casal Bento Kangmba e Avelina dos Santos, indicando como fiel depositário Joaquim Manuel da Graça da Silva.

O casal requerente é proprietário da empresa Teresa Gerardin – gestão e investimentos, S.A, constituída a 30 de Julho de 2008 no Cartório Notarial do Guiché Único de Empresa, na presença da notária Maria Isabel Fernandes Tormenta dos Santos.

 

Os bens em causa

Entre os bens de Kangamba e Avelina dos Santos que passaram a estar, naquela altura, sob gestão de Joaquim da Silva, com a execução do mandado judicial de arresto, datado de 28 de Outubro, estão prédios rústicos “designados por lotes G13 e G14, numa área de 674m2”, localizada na comuna da Chicala, município da Ingombota, em Luanda.

Na lista que a juíza Miryam Macedo ordenou o arresto figuram ainda um “prédio nº 255, localizado nas Ingombotas”, quatro veículos, sendo dois de marca Mercedes Benz, modelo ML 6.3 AMC, fabricado em 2007, outro modelo Benz, motor V.8, fabricado em 2011, um Nissan Patrol, bem como um Hyundai, modelo Santa Fé.

De acordo com uma fonte próxima ao empresário Bento Kangamba, contactada pelo OPAÍS naquela altura, as residências a que o documento faz menção não lhe pertencem. Especificou que o seu patrão tem uma residência na Praia do Bispo e outra em Talatona, onde reside com a família.

Esclareceu que o patrono das Organizações Kabuscorp não foi desalojado. Por outro lado, recusou-se a prestar quaisquer informações sobre o processo número 68/18-F, que corria, na altura; os seus trâmites na 2ª Secção da Sala do Cível e Administrativo do Tribunal Provincial de Luanda.

O Pais

Deve ver notícias

error: Content is protected !!