Quanto custa o seu patriotismo?

POR: Edy Lobo

Ao passarmos nossas órbitas carnais e superficiais sobre esta questão poderemos encontrar níveis de pura jocosidade e chegarmos a uma resposta curta e concisa: Loucura. “Patriotismo não tem preço”; gritavam aqueles que um dia foram jovens até decidir permutar o cérebro pelo estômago por vontade biológica ou satisfação de desejos sociais inerentes a sobrevivência político- social numa terra onde por muito tempo a intolerância foi sinónimo de governação efectiva. Há ainda quem nem sequer sabe o que patriotismo significa, o poder consciente e heróico que este termo acarreta. Partidos houveram que obtiveram massas “patrióticas” por pura questão ingénua de quem mal percebe do assunto. Jogada de inteligência. Alimentavam seus “patriotas” com desconhecimento da história usando “desargumentos” fiéis, lavagem cerebral e muita religião misturada com a fome do Espiríto Santo que atingia as entranhas. Hoje os mesmos veêm-se de azar porque alguns olhos se abriram e a fome já trespassou os interesses dos lobos, pois a carne que os alimentava já não é de primeira. Por isso até hoje muitos ainda acreditam que Diogo Cão “descobriu” Angola. É a mais pura realidade. Os tempos mudaram ou pelo menos tendem a mudar apesar de ainda resistir alguma teimosia tricolor sem a roda dentada nalguns “patriotas” dos novos tempos. Urge a necessidade de pensar o país. Deixemos de pensar superficial. Não sei porquê insisto em ser superficial. Talvez porque o meu metro de superfície pensante não acredita que haja superfície milionária em cérebros governativos para acreditar que se instale, instaure, se aplique ou seja lá a forma verbal-administrativa que se pretenda usar que não importa em que tempo gramatical seja para um metro de superfície que se diz “vai melhorar a circulação rodoviária e alterar os paradigmas problemáticos” dos meios de transporte públicos da cidade. Não quero ser carinhoso. Não vai alterar patavina alguma. Não sei quanto custa o vosso patriotismo mas vou já explicar quanto custa o meu: O meu patriotismo tem o preço de ver uma Angola não luandizada no seu todo a sentir os benefícios de uma governação nacional para todos sem excepção. É ter a coragem com uma composição respeitosa de dizer que o metro de superfície não é necessário, pelo menos por agora. E que tal se usassem os milhões alemães para comprar autocarros para o país, sendo Luanda onde reside a maior parte da população com maior benefício? E se colocassem, no caso de Luanda, na via expressa autocarros que possam circular até as 23h00 com o devido controle, da nossa quando quer, competente Polícia Nacional dentro dos mesmos? Não daria mais jeito? Talvez quem de direito não esteja a procura de jeito mas de puro benefício próprio. É o tal patriotismo que não se percebe. Estamos todos a ver com os mesmos olhos mas com as lentes das respectivas cores partidárias ou do quão fundo são os nossos bolsos e necessidades egoístas. Patriotismo não deveria ter preço. Não é mais patriota quem decide lutar pela sua nação ou menos patriota quem decide emigrar. Não importa a posição geográfica ou o ângulo de ataque para querer ver as coisas mudar. O preço do patriotismo deveria ser a luta conjunta por um bem comum: O bem-estar do povo angolano.

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