“Temos dificuldades de fazer chegar ajuda aos estudantes na China”

O presidente da câmara Angola e China, Arnaldo Calado, revelou, ontem, em Luanda, que a sua organização tem encontrado dificuldade para fazer chegar apoios aos estudantes angolanos na China

“Nós podemos recolher aqui muitos meios, mas o problema está em fazer chegar na China. Inclusive aqueles meios que são recolhidos na China, porque a mobilidade interna também não é fácil”, disse, ontem, ao intervir na Acção de Solidariedade e Cooperação na Luta Contra o COVID- 19 promovida pela sua organização em parceria com a Embaixada da República Popular da China acreditada em Angola. Segundo o responsável, o próprio pessoal da embaixada também está em quarentena, e os que podem ajudar também não podem andar. Neste momento encontramse com alguma dificuldade. “Nós conseguimos fazer chegar alguns meios da Associação da Mulheres Chinesas, algum apoio aos estudantes.

Temos consciência que falta muito mais, mas temos dificuldades em fazer chegar”, frisou. Acrescentou de seguida que, “sinceramente, qualquer sugestão que nos puderem dar que facilite fazer chegar alguns meios gostaríamos de contar com o vosso apoio”. Disse ainda que o objectivo principal desse encontro foi o de manifestarem solidariedade ao povo chinês. A epidemia calhou justamente na altura do Natal e do final de ano da China, em que a maioria dos empresários chineses foram passar este período no seu país de origem. Quando chegou a vez de regressarem ao país estavam impossibilitados.

Os que conseguiram tiveram de ficar em quarentena, mas a imagem que tinham era a espécie de uma cadeia. Acabaram inibidos por se ter passado a falsa informação de que no local onde decorria a quarentena tinham uma cama para 20 pessoas. A casa de banho das mulheres e homens era igual e tinham que pagar. “Inventaram-se milhares de desculpas para não entrarem em quarentena. Estamos à espera que os empresários e investidores chineses regressem e continuem a investir na República de Angola. Eles têm que sentir que os angolanos os querem. Porque criou-se um sentimento na China de que Angola é não os quisesse”, disse.

Estudantes angolanos pedem mais atenção com os que se encontram na China

Angola é o país lusófono em África com maior comunidade chinesa e são cerca de 50 os angolanos em quarentena, estudantes em Wuhan, o epicentro da nova forma do coronavírus, no centro da China Os estudantes provenientes da China e que ficaram em quarentena durante 17 dias na Barra do Cuanza, em Angola, pedem ao Ministério da Saúde e não só, que olhem mais para os outros estudantes que se encontram no epicêntrico da epidemia, em Wuhan.

O estudante em Pequim, na China, Xano Eduardo José dos Santos disse que quando o surto foi anunciado a maior parte dos estudantes já estava de férias e alguns tiveram a oportunidades de sair do país, não pela epidemia, mas por questões de férias. Segundo o jovem, foi uma situação difícil que começou do nada. Na altura, todos eram obrigados a fazer um isolamento e começaram a receber vários anúncios prévios vindos das universidades com o prolongamento das férias. “Todos que estão fora de Wuhan têm a possibilidade de sair por conta própria, mas o que estão dentro de Wuhan estão com as portas fechadas e, logo, isso dificulta muito”, disse. Contou ainda que estão no país desde o dia 4 e foram recebidos por uma delegação do Ministério da Saúde já no Aeroporto 4 de Fevereiro, posteriormente encaminhados para o Hospital da Barra do Cuanza.

Cerca de 115 passageiros libertados da quarentena em Angola

Segundo o director Nacional de Saúde Pública, Peliganga Luís Baião, as preocupações agora estão viradas para Europa, sendo que a Itália é grande preocupação por registar casos atópicos. Tanto mais que as medidas de vigilância epidemiológica que antes eram só focadas para a China, quer de trânsito e permanência, agora têm de focar também para alguns países do velho continente que registam casos do género. Fez saber que até ao momento, a contar de 3 de Fevereiro, estiveram em quarentena cerca de 277 passageiros nos dois pontos de quarentena, nomeadamente Barra do Cuanza e Calumbo. Neste momento, têm cerca de 162 passageiros em quarentena e 115 passageiros já obtiveram alta.

Contou que durante esse tempo têm uma equipa médica e psicólogos a fazerem o acompanhamento diário. Se durante 14 dias não apresentarem nenhuma manifestação sugestiva da doença recebem alta. Peliganga Luís Baião salientou que a grande preocupação passou a ser das famílias, porque, primeiro, elas não queriam que os passageiros fossem aos centros de quarentena, mas depois passou a ser o contrário. “As famílias começaram a rejeitar os passageiros. Então estamos também a fazer um trabalho prévio antes que os nossos passageiros vão para o convívio familiar, temos o trabalho de convencer as famílias de que não existe risco nenhum depois desta estadia nos nossos centros de quarentena”, disse.

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